Margarida Mano: corrupção está em todo o lado, não é só na política

por Antena 1

É importante escrutinar, mas também é importante perceber se queremos políticos que sejam apenas funcionários públicos ou académicos, defende Margarida Mano, presidente da Associação Transparência e Integridade, em entrevista à Antena 1.

No podcast da rádio pública Política com Assinatura, a presidente da Associação Transparência e Integridade comenta o caso que envolve o primeiro-ministro: a empresa detida pela família de Luís Montenegro que pode vir a beneficiar da lei dos solos promulgada pelo atual Governo.

Margarida Mano entende que todos os políticos têm uma vida antes, durante e depois de assumirem altos cargos públicos, pelo que defende que cada um deve ter consciência do que pode e não pode fazer.

E acrescenta: o caso que envolve Montenegro deve ser escrutinado. Margarida Mano defende um maior escrutínio também durante a escolha de deputados. Afirma que é impossível que quem escolhe não saiba quem está a escolher.
Sobre o funcionamento dos organismos judiciais, Margarida Mano critica a condução da Operação Influencer que levou à demissão de António Costa. Acusa, nomeadamente a antiga Procuradora-Geral da República: “não percebeu o que estava a fazer”.

Temos um processo conduzido pelo MP de uma forma completamente atabalhoada” e “inábil”, acrescenta. Na opinião de Margarida Mano o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) tem muitas responsabilidades na condução dos processos judiciais.

Crítica aquilo que diz ser “ímpetos de protagonismo que não conduzem a qualquer resultado”. Acredita que o combate à corrupção tem sido mais intenso nos últimos anos, mas que ainda não é eficaz. E dá como exemplo a prescrição do processo denominado como Cartel da Banca. Numa análise à corrupção em Portugal, Margarida Mano acusa as entidades que foram criadas para o combate à corrupção de serem “ineficazes”.

Dá três exemplos: a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, a Entidade para a Transparência e o Mecanismo Nacional Anticorrupção.

A responsável pela Associação Transparência e Integridade acusa estas instituições de não estarem a cumprir a missão para a qual foram criadas.
Margarida Mano explica que quando estas instituições não são eficazes e escrutinadas isso influencia a transparência de outras entidades, e dá como exemplo os partidos. Em particular o seu financiamento.

E pergunta: “sabemos como os partidos se financiam?”. Entrevista conduzida por Natália Carvalho, editora de Política da Antena 1.
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