Margarida Mano: corrupção está em todo o lado, não é só na política
É importante escrutinar, mas também é importante perceber se queremos políticos que sejam apenas funcionários públicos ou académicos, defende Margarida Mano, presidente da Associação Transparência e Integridade, em entrevista à Antena 1.
Margarida Mano entende que todos os políticos têm uma vida antes, durante e depois de assumirem altos cargos públicos, pelo que defende que cada um deve ter consciência do que pode e não pode fazer.
E acrescenta: o caso que envolve Montenegro deve ser escrutinado. Margarida Mano defende um maior escrutínio também durante a escolha de deputados. Afirma que é impossível que quem escolhe não saiba quem está a escolher. Sobre o funcionamento dos organismos judiciais, Margarida Mano critica a condução da Operação Influencer que levou à demissão de António Costa. Acusa, nomeadamente a antiga Procuradora-Geral da República: “não percebeu o que estava a fazer”.
“Temos um processo conduzido pelo MP de uma forma completamente atabalhoada” e “inábil”, acrescenta. Na opinião de Margarida Mano o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) tem muitas responsabilidades na condução dos processos judiciais.
Crítica aquilo que diz ser “ímpetos de protagonismo que não conduzem a qualquer resultado”. Acredita que o combate à corrupção tem sido mais intenso nos últimos anos, mas que ainda não é eficaz. E dá como exemplo a prescrição do processo denominado como Cartel da Banca. Numa análise à corrupção em Portugal, Margarida Mano acusa as entidades que foram criadas para o combate à corrupção de serem “ineficazes”.
Dá três exemplos: a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, a Entidade para a Transparência e o Mecanismo Nacional Anticorrupção.
A responsável pela Associação Transparência e Integridade acusa estas instituições de não estarem a cumprir a missão para a qual foram criadas. Margarida Mano explica que quando estas instituições não são eficazes e escrutinadas isso influencia a transparência de outras entidades, e dá como exemplo os partidos. Em particular o seu financiamento.
E pergunta: “sabemos como os partidos se financiam?”. Entrevista conduzida por Natália Carvalho, editora de Política da Antena 1.