Crato rebate críticas lembrando que há mais de dez mil investigadores em Portugal
Lisboa, 24 jan (Lusa) -- O Ministro da Educação e Ciência lembrou hoje no Parlamento que há mais de dez mil investigadores em Portugal, tentando assim rebater as críticas da oposição, que acusou o executivo de estar a cometer um "cientificídio".
O desinvestimento na ciência, a situação precária em que vivem os investigadores portugueses e a fuga de cérebros voltaram a ser as principais críticas dos deputados da posição que hoje questionaram o ministro Nuno Crato sobre a polémica em torno do concurso de bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento 2013 que, esta semana, levou à demissão de dois elementos do júri.
A socialista Elza Pais, que abriu o debate convocado pelo PS, acusou o Governo de fazer recuar o país 20 anos na área da ciência, deixando sem apoio quase 90% dos investigadores: "uma brutalidade", classificou a deputada, lembrando que, face à situação criada, estes "têm que emigrar se quiserem continuar a fazer investigação".
"O que está a acontecer com a ciência é a imagem do que está a acontecer com o país: empobrecimento", disse Elza Pais.
Nuno Crato contestou as críticas da oposição, falando em "mitos" e garantindo que "não há abandono da investigação científica".
"Há um mito que é preciso refutar: O Governo não desinvestiu na ciência", afirmou o ministro, sublinhando ainda que "o governo continua a apostar na investigação avançada" e recordando a abertura, no ano passado, de "um concurso de projetos de menor dimensão".
Nuno Crato lembrou ainda que "a FCT apoia atualmente mais de 12 mil investigadores em Portugal" e que existe um novo programa internacional: "Temos cerca de 80 mil milhões de euros disponíveis para os investigadores".
Palavras que não convenceram a oposição: a deputada do PCP Rita Rato lembrou o corte de 82 milhões de euros na ciência e o bloquista Luis Fazenda classificou a política governamental de "cientificídio".
"O senhor ministro pode fazer as piruetas que quiser, mas a verdade é que é responsável pelo desemprego de cinco mil investigadores", acusou Rita Rato, lamentando a precariedade dos cientistas.
Para Odete João (PS), "o programa do Governo é uma enorme errata, que não cumpre nada daquilo que promete".
Sobre a polémica em torno do concurso de bolsas, Nuno Crato remeteu as questões para o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que esta tarde também estará no parlamento, na Comissão de Educação, Ciência e Cultura.