O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores saiu esta terça-feira a público para acusar o primeiro-ministro de “repetir um chorrilho de mentiras” sobre o dossier da reposição de tempo de serviço congelado. Em reação às palavras de António Costa na entrevista da última noite à TVI, Mário Nogueira disse tratar-se de um “processo de intoxicação da opinião pública”.
“Na verdade, aquilo que nós ouvimos dizer da parte do senhor primeiro-ministro foi repetir o chorrilho de mentiras sobre os professores e sobre a forma como o Governo conduziu a farsa negocial que decorreu durante mais de um ano”, prosseguiu Mário Nogueira.
O secretário-geral da Fenprof insistiu na ideia de que foi o Governo que “manteve desde a primeira hora uma postura de total intransigência, chegando ao ponto de levar para a mesa dita das negociações a chantagem”.
Ainda em resposta às declarações de António Costa na TVI, Mário Nogueira sustentou que “quebra de equidade” é o que acontece com as regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Algo que a Fenprof quer ver replicado no continente.
“Nós repetimos: Portugal não são três países. Portugal é um país que tem regiões autónomas, mas em que no caso dos professores o exercício da sua atividade e a sua carreira regem-se pelos mesmos princípios”, vincou o sindicalista. Os sindicatos dos professores exortam BE e PCP a viabilizarem as propostas da direita na contagem integral do tempo de serviço congelado, assinalando que não votar contra a sustentabilidade financeira é a única forma de o diploma vingar.
“Portanto, esta discriminação é claramente inconstitucional, em nossa opinião. Não porque é contado o tempo integral na Madeira e nos Açores, mas porque a mesma medida não é feita aqui no continente”, insistiu.
A Fenprof ameaça agora partir para nova greve às avaliações. Protesto que dependerá do desfecho da votação parlamentar.
Na entrevista da noite de segunda-feira, o primeiro-ministro afirmou que vai “aguardar serenamente” a votação final global do diploma relativo à carreira dos docentes.
António Costa reiterou que, caso a Assembleia da República aprove a reposição integrado do tempo de serviço congelado – nove anos, quatro meses e dois dias -, o Governo não terá “outro remédio” que não a demissão.
O governante começou por destacar “as consequências que teria a aprovação em votação final global do diploma que foi votado em especialidade” na passada quinta-feira, desde logo pôr “em causa a estabilidade financeira do país, a equidade entre os portugueses e a credibilidade internacional de Portugal”.
A aprovação do diploma, insistiu Costa, “compromete a governabilidade no presente” e “condiciona, de uma forma inadmissível, a governabilidade no futuro”.
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