Nunca as rendas foram tão caras em Portugal. Arrendamento em debate hoje com chumbo no horizonte

Nunca as rendas foram tão caras em Portugal. Arrendamento em debate hoje com chumbo no horizonte

O valor por metro quadrado ultrapassou os 10 euros a nível nacional no segundo trimestre. O tema do arrendamento é discutido esta quarta-feira no Parlamento, com uma proposta do Governo a votação. O PS já anunciou que iria votar contra e também o Chega ameaçou nesse sentido.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Nuno Patrício - RTP

Numa casa de 100 metros quadrados, a renda mediana está nos 1017 euros para novos contratos. É um aumento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado. É também uma subida de 7,5% em relação ao primeiro trimestre do ano.

O valor das rendas subiu em todas as regiões do País, sendo que são mais elevadas em Lisboa, Madeira e Península de Setúbal.


É neste contexto que esta quarta-feira o parlamento vai debater a proposta de mudanças na lei do arrendamento, proposta pelo Governo. O PS já anunciou que iria votar contra e também o Chega ameaçou nesse sentido.

Entre as medidas da proposta de lei do Governo estão a aceleração do processo de despejo, que passa a poder ser iniciado ao fim de dois meses de rendas em atraso (em vez dos três atuais), o fim do travão de 2% de aumento na renda de um novo contrato (em relação ao contrato anterior) e a introdução de três (em vez de duas) cauções adiantadas e sem limite de valor.

“Nós confiamos convictamente naquilo que estamos a fazer e que isso vai ter um resultado. A história vai-nos julgar, e os eleitores também, mas nós não vamos deixar de fazer”, vincou o primeiro-ministro esta terça-feira.
Telejornal | 29 de setembro de 2026

Apesar da confiança de Luís Montenegro, há o risco de a proposta ser chumbada no Parlamento.

O PS já anunciou que votará contra, tendo apresentado um projeto de lei para criar um mecanismo de garantia pública de segurança no arrendamento habitacional.

O líder parlamentar dos socialistas, Eurico Brilhante Dias, considerou que o Executivo pretende obter da Assembleia da República "um cheque em branco" com vista a instituir medidas que vão "criar uma insegurança crescente nos inquilinos". Não excluiu, porém, que a proposta do Governo baixe à especialidade sem votação e, em resposta aos jornalistas, indicou que o PS votará favoravelmente um pedido nesse sentido.

"Se não for votada, é porque o Governo reconhece que não construiu uma maioria e entende fazer baixar-se em votação. Se decidir baixar sem votação, o tema é diferente", disse, acrescentando: "Historicamente, sempre votámos favoravelmente (baixas à comissão sem votação)".
Telejornal | 29 de setembro de 2026

No projeto de lei apresentado esta terça-feira, o PS propõe a criação de uma garantia pública, definida como um "mecanismo público de mitigação dos riscos associados ao arrendamento habitacional, destinado a reforçar a confiança no mercado habitacional, a segurança das partes e facilitar o acesso à habitação".Chega acena com voto contra
O presidente do Chega desafiou igualmente o Governo a permitir a descida à comissão, sem votação, da proposta para rever o regime de arrendamento urbano, ameaçando votar contra se o Executivo não o fizer.

"Este diploma, tal como está, não serve. E ao não servir, não deve continuar a ser colocado à votação do Parlamento", afirmou André Ventura esta terça-feira.

O líder do Chega disse que, "se o diploma continuar assim como está, não passará no Parlamento", uma vez que também o PS já anunciou que votará contra.
Telejornal | 29 de setembro de 2026

André Ventura indicou que o seu partido recebeu "alguns contactos do Governo" sobre este diploma e instou o Executivo a alterar a proposta de lei que levou ao Parlamento, mostrando-se disponível para negociar em comissão.

O presidente do Chega considerou que "as pessoas não aguentam ter um regime em que as rendas não param de aumentar" e pediu penalizações para "algumas minorias" que "têm casas públicas ou menos públicas e que não pagam renda porque não querem".

"Não é as pessoas comuns que têm pensões baixas, salários baixos, serem despejados se não conseguirem pagar uma renda. (...) Essa conversa continua a existir, mas o Governo fez tudo mal neste projeto de arrendamento. Para os senhorios não é bom e mantém um regime altamente punitivo, para quem arrenda não é bom porque vai permitir basicamente que as rendas subam descontroladamente", criticou.

c/ Lusa
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