Socorristas mortos em Gaza. Cruz Vermelha indignada com Israel

por Cristina Santos - RTP
Elementos do Crescente Vermelho após recuperarem os corpos dos companheiros da ajuda humanitária. Anadolu via AFP

Os médicos pertenciam ao Crescente Vermelho e o secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) está "de coração partido" com as mortes. Tudo aconteceu quando o exército de Israel atacou o que disse serem "veículos suspeitos" que depois verificou ser uma coluna onde seguiam ambulâncias.

Ao “engano” israelita já respondeu o responsável máximo da FICV. Jagan Chapagain, sublinha que as equipas atacadas “tinham emblemas que deveriam tê-los protegido, as suas ambulâncias estavam claramente identificadas”.
As equipas médicas mortas pelo exército de Israel "iam prestar auxílio a feridos. Eles eram trabalhadores humanitários, (…) e deveriam ter regressado para as suas famílias. Não conseguiram”, lê-se na declaração de Chapagain.
A Federação, que é a maior rede humanitária do mundo, não poupa críticas e mostra-se "indignada com as mortes de oito médicos do Crescente Vermelho Palestiniano, mortos em serviço em Gaza”.

Na declaração que fez no domingo, a FICV revela que os corpos dos oito médicos só puderam ser recuperados após "sete dias de silêncio" e de Israel ter negado o acesso do Crescente Vermelho à zona de Rafah onde as ambulâncias tinham sido vistas pela última vez. 
Foto: Eyad Baba - AFP

De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, este foi o pior ataque contra as equipas humanitárias, em todo mundo, desde 2017.

No sábado, o exército israelita admitiu ter disparado contra ambulâncias na Faixa de Gaza após ter identificado os veículos como " suspeitos". O Hamas veio depois condenar o ataque considerando-o um crime de guerra.

O Crescente Vermelho Palestiniano veio depois revelar que um dos socorristas continua desaparecido. Os oito corpos das equipas médicas foram encontrados junto dos restos mortais de seis elementos da Defesa Civil de Gaza e um funcionário da ONU.

Corpos de 14 elementos humanitários que, no sábado, o exército de Israel tinha declarado (à Agência France-Presse) serem de “vários terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica”.
Na declaração de Israel lê-se que “após uma investigação inicial,verificou-se que alguns veículos suspeitos… eram ambulâncias e veículos de bombeiros”. Ainda assim, os militares israelitas condenam o que alegam ser “o uso repetido” de “ambulâncias por organizações terroristas na Faixa de Gaza”.

O secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) sublinha que “em vez de outro apelo a todas as partes para proteger e respeitar as equipas humanitárias e os civis, eu pergunto: quando é que isto vai parar? Todas as partes têm de acabar com esta matança”.
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