Protestos na Turquia. AFP exige "rápida libertação " do fotojornalista Yasin Akgül

por Inês Moreira Santos - RTP
Murad Sezer - Reuters

Um tribunal turco ordenou, esta terça-feira a prisão preventiva de sete jornalistas. O diretor-executivo da Agência France-Presse apelou à Presidência turca à "rápida libertação" do fotógrafo da AFP Yasin Akgül, detido por alegadamente participar numa reunião ilegal em Istambul.

O jornalista, cujo advogado anunciou a intenção de recorrer da decisão, argumentou durante a audiência que estava apenas a cobrir a manifestação de apoio ao presidente da câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, entretanto preso, sendo acusado de ter participado nos protestos.

“Yasin Akgül não estava a manifestar-se. Estava a cobrir, enquanto jornalista, uma das muitas manifestações organizadas no país desde quarta-feira"
, após a detenção do opositor do regime, enfatizou o CEO da AFP numa carta endereçada à Presidência da Turquia.

Fabrice Fries classificou, na mesma nota, que a detenção do fotojornalista esta terça-feira como "inaceitável".

“E é por isso que lhe peço que intervenha o mais rapidamente possível para garantir a rápida libertação do nosso jornalista”, sublinhou o diretor-executivo da agência de notícias.
“O trabalho de um fotógrafo é estar onde os acontecimentos estão a ter lugar, incluindo entre os manifestantes e as forças da segurança. Yasin Akgül é um dos melhores representantes disso, e o seu valor profissional é reconhecido em todo o mundo”.
Os protestos prosseguem um pouco por todo o país e já foram detidas mais de 1.400 pessoas desde o início de uma revolta generalizada desencadeada pela detenção de Imamoglu, o principal rival do Presidente Recep Tayyip Erdogan às eleições presidenciais de 2028.

Um tribunal de Istambul ordenou a detenção provisória de sete jornalistas turcos, incluindo um fotógrafo da AFP, sob a acusação de participarem em concentrações ilegais. Akgul foi detido na madrugada de segunda-feira em casa, juntamente com outros nove jornalistas em Istambul e Izmir (região no oeste), a terceira maior cidade do país. Mais tarde, foi libertado, juntamente com os restantes sete e, depois, novamente detido.

“Há dez anos que Yasin Akgül cobre todos os aspetos da política turca para a AFP. Entre eles, os comícios eleitorais do presidente Recep Tayyip Erdogan”, sublinhava ainda a carta de Fabrice Fries.

Também a organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF) condenou a “decisão escandalosa", que considerou refletir "a grave situação que se vive na Turquia”.

É a primeira vez que um jornalista claramente identificado como tal, no exercício das suas funções, é mandado para a prisão com base nesta lei contra ajuntamentos e manifestações. Esta decisão escandalosa reflete uma situação muito grave na Turquia”, declarou à AFP Erol Onderoglu, representante da ONG Repórteres Sem Fronteiras na Turquia.

Além do jornalista da AFP Yasin Akgül, entre as detenções também se inclui o fotógrafo turco Bülent Kiliç, um ex-colaborador da AFP e cujo trabalho ganhou vários prémios internacionais. Três outros jornalistas presos em Izmir e outro em Istambul ainda aguardavam pela decisão judicial, de acordo com a MLSA, uma ONG turca de direitos humanos.

O Sindicato dos Jornalistas Turcos (TGS) denunciou a "decisão ilegal" contra os sete jornalistas, lembrando que era função deles estar no terreno para relatar os acontecimentos.

"Parem de atacar jornalistas", exigiram, numa ação conjunta, o TGS e o RSF.

Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está “profundamente preocupado” com o elevado número de pessoas detidas na última semana na Turquia.

“Os protestos foram ilegalmente proibidos em três cidades do país e mais de mil pessoas foram presas, pelo menos nove delas jornalistas”, alertou a porta-voz da agência da ONU, Liz Throssell, que apelou para a liberdade "imediata e incondicional" de todos os que foram “detidos por exercerem os seus direitos”.

“Exortamos as autoridades a garantir que os direitos à liberdade de expressão e de reunião sejam respeitados, sempre em conformidade com o direito internacional. É importante que as alegações credíveis de um eventual uso excessivo da força sejam objeto de uma investigação aprofundada”, adiantou.
PUB