Netanyahu insta Hamas a depor armas ao mesmo tempo que promete "aumentar pressão"

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Abir Sultan - Pool via Reuters

O primeiro-ministro israelita instou este domingo o Hamas a depor as armas, garantindo que os seus líderes poderão depois abandonar Gaza. Ao mesmo tempo, Benjamin Netanyahu prometeu “aumentar a pressão” sobre o grupo palestiniano, afirmando que a força militar “está a resultar”.

Benjamin Netanyahu rejeitou as alegações do Hamas e dos manifestantes israelitas de que o seu Executivo não está comprometido com as negociações para libertar os restantes reféns, garantindo que está empenhado em chegar a um acordo com o grupo radical.

“Dizer que não estamos dispostos a falar sobre a fase final também não é correto. Nós estamos dispostos”, garantiu Netanyahu, explicando que Israel está a negociar “sob fogo” e que esta estratégia "está a resultar".

“A pressão militar está a resultar porque funciona em simultâneo. Por um lado, reduz as capacidades militares e de governo do Hamas, e por outro lado cria as condições para a libertação dos reféns. É exatamente isso que estamos a fazer”, asseverou, afirmando que estão a surgir “ruturas” da parte do Hamas nas negociações. Por este motivo, Netanyahu anunciou que o seu Governo “decidiu intensificar a pressão, que já é alta, para continuar a esmagar o Hamas e criar as melhores condições possíveis para a libertação dos reféns”. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro israelita exige que o Hamas deponha as armas, oferecendo exílio aos seus líderes.

“O Hamas deve depor as suas armas. Os seus líderes serão então autorizados a partir”, anunciou Netanyahu, acrescentando que irá trabalhar na implementação do “plano de imigração voluntária”, do presidente norte-americano, Donald Trmp.

“Nós garantimos a segurança global na Faixa de Gaza e permitimos a implementação do plano Trump, o plano de imigração voluntária. É este o plano”, afirmou.

Trump propôs originalmente transferir toda a população de Gaza para países como o Egipto e a Jordânia e transformar a Faixa de Gaza numa “riviera”. Entretanto, nenhum país aceitou acolher a população e Israel disse desde então que qualquer saída de palestinianos seria voluntária.
“Armas de resistência” são “linha vermelha”
Um alto funcionário do Hamas anunciou, no sábado, que o movimento tinha aprovado uma nova proposta de cessar-fogo apresentada pelos mediadores egípcios e pediu a Israel que a apoiasse.

Segundo fontes de segurança, a proposta incluía a libertação de cinco reféns israelitas todas as semanas em troca de um cessar-fogo renovado, incluindo a entrada de ajuda humanitária no enclave. No entanto, depor as armas como Israel exigiu era uma "linha vermelha" que o grupo não iria cruzar, esclareceu o alto funcionário.

O gabinete de Netanyahu confirmou a receção da proposta e anunciou que Israel tinha apresentado uma contraproposta em resposta, sem dar mais detalhes sobre a mediação.

A proposta é semelhante a uma apresentada há algumas semanas pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, embora não esteja claro se ela também inclui a liberação de corpos de reféns falecidos.

“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conduziu uma série de consultas ontem, seguindo uma proposta recebida dos mediadores. Nas últimas horas, Israel enviou a sua contraproposta aos mediadores, em coordenação total com os Estados Unidos”, disse o gabinete do chefe do Estado hebraico.Eid al-Fitr ensombrado por bombardeamentos
Enquanto isso, Israel continua a sua ofensiva em Gaza, depois de ter quebrado o cessar-fogo a 18 de março. Desde esse dia, mais de 900 pessoas foram mortas em ataques israelitas no enclave.

Este domingo - o primeiro dia do Eid-al-Fitr, o feriado muçulmano que marca o fim do mês de jejum do Ramadão - ataques aéreos israelitas em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, mataram pelo menos 17 pessoas, "a maioria crianças e mulheres", segundo o Hospital Nasser.

Um dos ataques teve como alvo uma casa e uma tenda que abrigavam pessoas deslocadas no sul da Faixa de Gaza, matando oito pessoas, incluindo cinco crianças, de acordo com Mahmoud Bassal, porta-voz do serviço de resgate de Gaza.

As negociações indiretas entre o Hamas e Israel, lideradas pelo Egito, Catar e Estados Unidos, para prolongar a trégua que entrou em vigor a 19 de janeiro, estão estagnadas desde o fim da primeira fase do cessar-fogo, a 1 de março.

Israel e o Hamas estão num impasse, não chegando a um entendimento sobre como prosseguir o acordo de tréguas. O Hamas quer passar à segunda fase do acordo, que prevê um cessar-fogo permanente, a retirada das tropas israelitas de Gaza, a retoma do envio de ajuda humanitária e a libertação dos restantes reféns.

Israel, por seu turno, quer que a primeira fase seja prolongada até meados de abril para que mais reféns sejam libertados e exige a "desmilitarização" de Gaza e a saída do Hamas antes de passar à segunda fase. O Hamas não aceitou a proposta e insiste que seja cumprido o acordo inicial.

c/ agências
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