"Muito zangado" com Putin, Trump ameaça impor tarifas ao petróleo da Rússia

por Carlos Santos Neves - RTP
"Haverá uma tarifa de 25 por cento sobre todo o petróleo, uma tarifa de 25 a 50 pontos sobre todo o petróleo" Shawn Thew - EPA

Em aparente inversão do registo de aproximação ao Kremlin, o presidente dos Estados Unidos declarou-se este domingo "muito zangado" com o homólogo russo, Vladimir Putin. Sem vislumbrar progressos nos esforços de paz para a Ucrânia, Donald Trump ameaça agora pôr em marcha novas tarifas sobre o petróleo da Rússia.

"Se a Rússia e eu não conseguirmos chegar a um acordo para pôr um fim ao banho de sangue na Ucrânia - e penso que a culpa é da Rússia -, vou impor tarifas secundárias sobre todo o petróleo que sai da Rússia", clamou Trump em entrevista à norte-americana NBC.O presidente norte-americano adiantou pretender chegar à fala, nos próximos dias, com Vladimir Putin.

"Isto significa que, se comprarem petróleo à Rússia, não poderão fazer negócios com os Estados Unidos. Haverá uma tarifa de 25 por cento sobre todo o petróleo, uma tarifa de 25 a 50 pontos sobre todo o petróleo", reforçou.


Recorde-se que, na sexta-feira, o presidente russo ensaiou a ideia de uma “administração temporária” para a Ucrânia, num processo hipoteticamente tutelado pelas Nações Unidas. Vladimir Putin vincou mesmo o que considerou ser a necessidade de promover eleições presidenciais “democráticas” no país que decidiu invadir. Isto antes de quaisquer negociações de alto nível para um acordo de paz.

“Em princípio, será possível sob a orientação da ONU, com os Estados Unidos e com os países europeus, para além dos nossos parceiros e amigos, discutirmos a possibilidade de introduzirmos uma administração temporária na Ucrânia”, afirmava então Putin durante um encontro com militares russos em Murmansk, no noroeste da Rússia.

“E para quê? Para se fazerem eleições democráticas, para se pôr no poder um governo viável que tenha a confiança do povo, para iniciarmos depois conversações sobre um tratado de paz, para assinarmos documentos legítimos que sejam reconhecidos em todo o mundo e que sejam confiáveis e estáveis”, argumentaria adiante o chefe de Estado russo.

“No quadro das atividades de manutenção de paz da ONU, já recorremos várias vezes ao que chamamos de administração transitória”.
"Haverá bombardeamentos". Uma ameaça ao Irão

Na entrevista à NBC, o inquilino republicano da Casa Branca ameaçou também o Irão com bombardeamentos, caso as negociações sobre o acordo nuclear não cheguem a bom porto: "Se eles não concordarem, haverá bombardeamentos".Donald Trump referiu ainda o cenário de novas taxas alfandegárias para a República Islâmica.

Este domingo, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, reafirmou a abertura para negociações indiretas com Washington, ressalvando, todavia, que o diálogo depende sobretudo da postura norte-americana.

Foto: Abedin Taherkenareh - EPA

Foi nestes termos que Teerão respondeu a uma carta de Donald Trump a exortar o regime dos ayatollahs a negociar o programa nuclear.

Para consumo interno, Trump não descartou, nas declarações à estação televisiva, avançar para um terceiro mandato na Casa Branca, algo que lhe é vedado pela 22ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos.


"Não estou a brincar", enfatizou, assinalando que "há métodos" para alcançar tal desígnio. Uma das possibilidades - que admitiu - passaria por lançar uma candidatura presidencial do atual vice-presidente, JD Vance, que depois lhe devolveria o poder.

c/ agências
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