Moscovo critica falta de imparcialidade do tribunal internacional após morte de Mladic
A Rússia criticou a falta de imparcialidade e motivações políticas do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ) e do seu sucessor por recusar conceder liberdade condicional ao ex-líder militar sérvio-bósnio Ratko Mladic, cuja morte foi hoje confirmada.
"O desrespeito deliberado pelas regras básicas de imparcialidade e tratamento justo dos condenados, em favor de motivações políticas, ficará para sempre gravado no legado lamentável do mecanismo internacional" que sucedeu ao TPIJ, destacou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado, após o anúncio da morte de Mladic em Haia, onde cumpria pena.
O Mecanismo Residual Internacional para os Tribunais Penais (MTPI) confirmou hoje a morte do antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia e acrescentou que abriu um inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte.
O MPTI é um tribunal internacional criado pelo Conselho de Segurança da ONU em 2010 para assumir as funções restantes dos tribunais penais para o Ruanda e para a ex-Jugoslávia.
O responsável médico da Unidade de Detenção das Nações Unidas (UNDU) foi imediatamente informado do falecimento e as autoridades neerlandesas, por seu lado, deram início aos procedimentos e investigações previstos pela legislação dos Países Baixos.
O estado de saúde de Mladic, de 84 anos, deteriorou-se gravemente nos últimos meses.
Conhecido como "carniceiro da Bósnia", Mladic, que dirigiu as forças sérvias-bósnias durante a guerra da Bósnia (1992-1995), foi em 2017 condenado a prisão perpétua pelo TPIJ, por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante esse conflito que fez quase 100.000 mortos, um veredicto confirmado em recurso em 2021.
Entre os crimes figuram o massacre de cerca de 8.000 homens e rapazes bósnios, em julho de 1995 na região de Srebrenica (leste).
Foi capturado em 2011 na Sérvia, após 16 anos em fuga, e ainda é glorificado por alguns líderes políticos sérvios e sérvios-bósnios.
Após ter sido detido foi transferido pouco depois para Haia para ser julgado pelo TPIJ.
Uma secção de primeira instância do TPIJ declarou-o culpado a 22 de novembro de 2017 e condenou-o a prisão perpétua, sentença confirmada em recurso pelo MTPI a 8 de junho de 2021.