Irão reivindica ataque a base dos EUA na Jordânia 

 Irão reivindica ataque a base dos EUA na Jordânia 

A Guarda Revolucionária do Irão (GRI) reivindicou hoje um ataque a uma base norte-americana na Jordânia, em resposta aos ataques das forças dos Estados Unidos contra a República Islâmica.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: ReutersPlanet Labs PBC via Reuters

Em comunicado, a GRI adiantou que o ataque, com mísseis balísticos pesados, foi dirigido contra Camp Titin, uma base do Corpo de Fuzileiros Navais norte-americanos.

Nem os Estados Unidos, nem a Jordânia se pronunciaram ainda sobre o ataque.

Segundo a agência AP, várias explosões foram registadas esta noite sobre a cidade de Aqaba, no sul da Jordânia, próxima de Camp Titin.

Mísseis iranianos anteriormente lançados contra bases na Jordânia foram intercetados pelas defesas aéreas.

Antes, a GRI confirmou "uma onda de ataques contra alvos norte-americanos na região" e reivindicou também ter abatido um drone avançado MQ-9 dos Estados Unidos.

O Irão iniciou hoje a resposta militar aos últimos ataques norte-americanos, visando bases e interesses dos Estados Unidos no Médio Oriente, informou a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária.

Segundo a Tasnim, "as bases e os interesses americanos na região estão a ser alvejados por mísseis e drones iranianos".

Esta é a segunda vaga de ataques desde que os Estados Unidos atingiram a ilha de Larak entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira, matando duas pessoas. Segundo Washington, Teerão preparava-se para lançar no estreito de Ormuz, a partir de Larak, rockets carregados com minas marítimas.

Segundo o Comando Central norte-americano (CENTCOM), pelas 17:00 de Portugal continental as suas forças "iniciaram ataques contra alvos da Guarda Revolucionária no Irão".

"Os ataques seguem-se a recentes investidas da GRI contra navios mercantes no Estreito de Ormuz e contra militares norte-americanos destacados na região", afirmou o CENTCOM.

A televisão estatal iraniana noticiou várias explosões no sul do país, perto de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, junto ao estreito de Ormuz, onde as forças iranianas colocaram sob ameaça o tráfego marítimo desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro, fazendo disparar os preços internacionais de petróleo.

De seguida, foram relatadas novas explosões nos mesmos locais, bem como na ilha de Lavan, que alberga um dos terminais de exportação de petróleo do Irão.

Os meios de comunicação estatais iranianos informaram que quatro projéteis atingiram cidades a leste do estreito de Ormuz e anunciaram que um aeroporto no sul do Irão, na província de Kerman, tinha sido alvejado.

Ao fim do dia, Ahmad Nafisi, vice-governador da província de Hormozgan, disse à televisão estatal iraniana que um ataque aéreo norte-americano atingiu uma casa onde decorria uma cerimónia de casamento em Kuhestak, no sul do país, matando duas pessoas e deixando outras feridas.

Estes relatos surgiram pouco depois de dois petroleiros terem sido atingidos por "projéteis de origem desconhecida" quando deixavam o estreito, de acordo com a agência marítima grega Marisks.

Os Estados Unidos já tinham lançado ataques no domingo, os primeiros no último mês, contra a ilha iraniana de Larak, referindo que foram visados lançadores de minas destinadas ao estreito de Ormuz.

O Irão respondeu com bombardeamentos a bases norte-americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, embora os dois países tenham indicado que intercetaram todas as ameaças.

Esta escalada de confrontação ocorre após o anúncio, na semana passada, da operação «Pária Económico», que visa isolar o Irão atingindo as suas receitas comerciais.

Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.

As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.

 

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