Irão executou estrangeiro por participação nos protestos de janeiro

Irão executou estrangeiro por participação nos protestos de janeiro

Um estrangeiro, cuja nacionalidade não foi especificada, foi executado esta quinta-feira pelas autoridades iranianas pela sua participação nos protestos antigovernamentais generalizados de janeiro, segundo a agência de notícias Mizan, porta-voz oficial do poder judicial.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Morteza Nikoubazl - NurPhoto via AFP

"Ghaem Hosseini, um cidadão estrangeiro", condenado por envolvimento num acidente que vitimou quatro polícias no centro de Isfahan, "foi enforcado depois de o seu caso ter sido revisto e confirmado pelo Supremo Tribunal", informou a agência de notícias Mizan.

A Mizan não especificou imediatamente a nacionalidade de Hosseini. É a quarta pessoa a ser executada no mesmo caso desde julho.
As execuções têm aumentado no Irão desde o início da guerra desencadeada pelos ataques aéreos israelitas e americanos, a 28 de fevereiro, e muitos dos executados foram pela sua participação nos protestos.
No final de dezembro, um movimento de protesto inicialmente lançado contra o elevado custo de vida rapidamente se transformou em manifestações antigovernamentais generalizadas, culminando nos dias 8 e 9 de janeiro.

O governo reconheceu mais de três mil mortes, atribuindo a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
As ONG sediadas no estrangeiro descreveram a repressão como tendo resultado em milhares de mortes.

A 12 de agosto, a União Europeia e cerca de 30 outros países condenaram as execuções judiciais de manifestantes no Irão numa declaração conjunta.

Em resposta, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, denunciou a "hipocrisia" destes países, que acusou de "apoiar o genocídio israelita em Gaza".

A ONU também manifestou alarme com o crescente número de execuções no Irão, com pelo menos 56 pessoas mortas por razões de segurança nacional desde os primeiros enforcamentos ligados aos protestos no início deste ano. A ONU estima que "mais de 100 outras pessoas" correm o risco de sofrer o mesmo destino.

Segundo ONG sediadas no estrangeiro, incluindo a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais utiliza a pena de morte a seguir à China.


Até 2025, as autoridades iranianas terão executado pelo menos 1.639 pessoas, um recorde desde 1989, de acordo com dados das ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, e Together Against the Death Penalty (ECPM).

c/ agências
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