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Guerra nas estrelas. EUA admitem ter armas em órbita
Washington reconhece pela primeira vez que colocou armas convencionais no espaço para proteger as forças norte-americanas. O anúncio surge num contexto de crescente rivalidade com Rússia e China e de reforço das capacidades militares no domínio espacial.
Os Estados Unidos confirmaram, pela primeira vez, que já têm armas convencionais colocadas em órbita da Terra.
O anúncio foi feito esta segunda-feira, pelo secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, que justificou a existência destas capacidades com a necessidade de proteger as forças dos EUA perante eventuais ações hostis de outros países.
"Hoje, continuamos a garantir que permanecemos prontos para enfrentar os desafios das ameaças em constante evolução, onde quer que elas existam”, afirmou Meink na Conferência sobre Ar, Espaço e Ciberespaço, organizada pela Associação das Forças Aéreas e Espaciais, que decorre até esta quarta-feira, em Maryland.
É a primeira vez que Washington reconhece publicamente a existência de armas em órbita. No entanto, Troy Meink não revelou que tipo de armamento foi colocado no espaço, nem quando foi lançado.
A imprensa internacional, entre as quais a BBC e a CNN, revela que o secretário da Força Aérea norte-americana foi questionado sobre as capacidades do sistema, mas terá recusado dar informações acrescidas.
"É de extrema importância que mantenhamos a nossa supremacia não apenas no ar, mas também no espaço, e por isso tivemos que tomar medidas para garantir que, quando formos ameaçados, possamos lidar com a situação", fez questão de explicar.
O espaço como novo campo de batalha
O anúncio por parte da Administração Trump de ter armas em órbita surge numa altura em que Washington considera que a Rússia e a China estão a desenvolver tecnologias capazes de interferir ou atacar satélites.
Estes equipamentos são fundamentais para comunicações militares, vigilância, navegação, previsão meteorológica e resposta a catástrofes.
Na página oficial, a Força Espacial norte-americana escreve que Pequim "desenvolve e opera capacidades espaciais e contraespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar", enquanto Moscovo "vê o espaço como um domínio de guerra e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em conflitos futuros".
Entretanto, um porta-voz da Força Espacial citado pela BBC explicou que o chamado "controlo espacial" inclui meios destinados a "interrupção, degradação e até mesmo destruição" das capacidades dos adversários. Segundo a mesma fonte, essas capacidades "podem ser empregadas para fins ofensivos e defensivos sob a direção dos comandos de combate".
Um tratado com uma brecha
O Tratado do Espaço Exterior, assinado em 1967, proíbe a colocação em órbita de armas nucleares e outras armas de destruição em massa.
No entanto, não impede explicitamente a utilização de armas convencionais no espaço, nem o lançamento, a partir da Terra, de ataques contra objetos espaciais. É ao consultar o documento que se percebe que é nessa zona cinzenta que se desenvolve parte da atual corrida tecnológica.
A criação da Força Espacial dos EUA, em 2019, marcou uma nova etapa na estratégia militar norte-americana, destinada inicialmente a proteger os ativos americanos em órbita.
Sob a Administração de Donald Trump, essa estratégia ganhou uma dimensão mais ofensiva.
O presidente dos EUA tem defendido o reforço das capacidades norte-americanas no espaço e a criação da "Cúpula Dourada" (Golden Dome America), um ambicioso sistema de defesa antimíssil destinado a proteger os Estados Unidos de ataques provenientes de diferentes pontos do mundo.