Gronelândia. Dinamarca afasta crise com EUA e admite aprofundar cooperação
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen afastou esta quarta-feira um cenário de crise com os EUA quanto à ilha da Gronelândia, depois do presidente eleito, Donald Trump, ter admitido todos os cenários para anexar o território.
A anexação por parte dos EUA voltou a dominar a atualidade depois do presidente eleito, Donald Trump, ter recusado, terça-feira, afastar uma intervenção militar ou a pressão económica para a alcançar.
Propósitos repudiados com firmeza, não só pela Dinamarca e pelas autoridades gronelandesas, mas também pela França e pela Alemanha.
As duas potências europeias deixaram avisos a Trump esta quarta-feira, contra eventuais ameaças para assumir a Gronelândia pela força.
O chanceler alemão, Olad Scholz, lembrou o direito internacional, ao abrigo do qual "o princípio da inviolabilidade das fronteiras aplica-se a todos os países, seja um muito pequeno ou um muito poderoso".
Já o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, sublinhou que "obviamente, está fora de questão que a União Europeia vá deixar que outras nações do mundo ataquem as suas fronteiras externas, sejam elas quem forem. Somos um continente forte".
Ao lado de Barrot, o ainda secretário de Estado de Joe Biden, Antony Blinken, afirmou esta quarta-feira que, a ideia de Trump de anexar a Gronelândia "não é, obviamente, boa". "Obviamente não vai suceder", acrescentou.
Num sinal de que Copenhaga considera dinamarquesas não só a ilha da Gronelândia, como as Ilhas Faroé, o brasão real, em vigor desde 1972, foi modificado em dezembro de 2024, para incluir em destaque um urso polar e um carneiro. O primeiro simboliza a Gronelândia e o segundo as ilhas Faroé.
A mudança no brasão deu-se depois de uma primeira publicação de Donal Trump nas redes sociais. Na altura, o presidente eleito escreveu que, "para fins de segurança nacional e liberdade em todo o mundo, os Estados Unidos da América consideram a propriedade e o controle da Gronelândia uma necessidade absoluta",
Geograficamente, a Gronelândia fica mais próxima de Nova Iorque, nos EUA, do que de Copenhaga. Apesar de estar maioritariamente coberta de gelo e neve, e da sua principal indústria ser a pesca, foram identificadas pela UE no seu subsolo reservas de 25 dos 34 minerais da sua lista oficial de matérias essenciais, incluindo terras raras.
Ditte Brasso Sørensen, especialista em geopolítica e diretora adjunta do grupo de reflexão Europa, lembrou à Agência France Presse o crescente interesse os "atores internacionais" quanto à "necessidade de diversificar as suas fontes de abastecimento, particularmente quando se trata da dependência da China quanto a terras raras".
Os Estados Unidos de Trump querem evitar a todo o custo ficar dependentes de Pequim numa das indústrias de ponta mundiais, a dos semicondutores.
As armas de Copenhaga
Segunda-feira, seis de janeiro, o presidente eleito dos Estados Unidos afirmou que a Gronelândia e o seu povo irão "beneficiar enormemente se e quando se tornar parte da nossa nação".
Já a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afastou qualquer cenário de uma intervenção militar americana na ilha. Uma guerra comercial seria igualmente prejudicial, considerou ainda.
A maior empresa dinamarquesa é a Novo Nordisk, a mais valiosa da Europa, produtora do medicamento de perda de peso Wegovy, extremamente popular nos EUA e potencialmente uma arma em eventuais negociações.