Organizações sindicais de polícias em França, acusam o executivo de Emmanuel Macron de ingerência no processo judicial em curso que investiga o disparo de um polícia motorizado que abateu um jovem de 17 anos, terça-feira de manhã, no subúrbio parisiense de Nanterre.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou "indesculpável e injustificável" o tiro do polícia.
Interrogada no Senado, ainda durante o período de interrogatório do agente, no quadro de prisão preventiva, a primeira-ministra em exercício criticou os atos do agente, referindo-se a um vídeo viral gravado no local da operação conduzida pelo agente e outro polícia.
Elisabeth Borne considerou que "as imagens chocantes difundidas ontem (terça-feira) mostram um procedimento que não parece manifestamente conforme às regras de intervenção das nossas forças da ordem".
Também o procurador de Nanterre, Pascal Prache, estimou que, "conforme as investigações e elementos recolhidos, a procuradoria considera que as condições legais de uso de arma não estão reunidas". Frase que abriu a porta ao pedido de colocação sob prisão preventiva do polícia.
Uma decisão pouco frequente neste tipo de investigação e que causou uma reação imediata dos sindicatos policiais, que denunciam a "pressão" exercida sobre os magistrados que investigam o caso.
"Todos os polícias estão aterrados com estes requerimentos aberrantes", afimou Reverdy.
"Pressão política"
"Quando o Presidente da República qualifica de indesculpável e inexplicável o gesto do nosso colega, ele dá um sentido ao dossier", concordou Grégory Joro, líder do sindicato SGP-Unité FO, que considera que a prisão preventiva decretada esta tarde ao polícia autor do disparo "coloca poucas dúvidas, tendo em vista a pressão política, mediática e a amplitude da violência urbana em curso".
A única voz dissonante entre as organizações representativas dos profissionais das forças de segurança, o CGT-Police, apelou em comunicado a uma "reforma profunda sobre o uso da força pública, do seu enquadramento e do funcionamento global do serviço público da polícia", lembrando "o drama deste jovem e da sua família".
A lei de 2017 que reviu as regras de uso e porte de arma das forças policiais tem estado a ser criticada pela oposição em França, com Jean-Luc Mélanchon, líder da França Insubmissa, a considera-la uma "uatorização para matar". O partido já avançou com uma proposta para rever a lei, especificamente o artigo 435-1.
A lei foi apadrinhada pelo socialista Bernard Cazeneuve, ex-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna de França, que negou as críticas e defendeu que o texto autoriza os polícias "a disparar unicamente numa situação de legítima defesa", considerando que tal não se verificou no incidente que vitimou Nahel M..
O jovem de 17 anos recusou obedecer a uma ordem de parar o veículo que conduzia, durante uma operação stop, terça-feira de manhã, em Nanterre, e acelerou em fuga motivando o disparo fatal do agente motorizado.
A França reagiu em protesto e vários desacatos nas ruas têm marcado os últimos dois dias, incluindo destruição de mobiliário urbano e de veículos e confrontos com forças policiais. Já foram detidas mais de 150 pessoas.
Os distúrbios centram-se em Nanterre, Paris, embora se tenham registado problemas em diversas cidades. O governo mobilizou 14.000 agentes a nível nacional, cinco mil dos quais para a capital.
A circulação de vários transportes públicos foi proibida a partir das 21h00 locais na Ile-de-France, região severamente afetada pelos protestos.