Ex-ministro da Zâmbia morto durante rusga policial contra a oposição

Ex-ministro da Zâmbia morto durante rusga policial contra a oposição

A polícia zambiana anunciou esta quarta-feira que um antigo ministro foi morto a tiro durante uma rusga das forças de segurança à residência do principal líder da oposição, após a reeleição do Presidente cessante Hakainde Hichilema para um segundo mandato na semana passada.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: AFP

O Governo da Zâmbia tinha declarado na semana passada que a operação, realizada no dia seguinte ao sufrágio de 13 de agosto, visava uma presumível milícia que representava "uma ameaça grave à segurança do Estado" e que 11 pessoas tinham sido detidas.

O líder da oposição Brian Mundubile, que ficou em segundo lugar no pleito, tinha indicado que o incidente ocorreu na sua casa e que o deputado Mutotwe Kafwaya tinha sido atingido por disparos, mas que estava sem notícias dele desde então.

Mundubile, que posteriormente se escondeu, rejeitou as alegações de que a sua aliança, o NRPUP, estivesse "envolvida numa insurreição, em atividades milicianas ou em qualquer outro comportamento desse tipo".

Perante os pedidos cada vez mais veementes da família de Kafwaya, a polícia confirmou na quarta-feira à noite, em comunicado, que este tinha sido morto durante a operação realizada pela força operacional conjunta.

As forças de segurança enfrentaram "disparos e resistência por parte de indivíduos não identificados, o que levou a força de intervenção a responder", precisou a polícia. "Durante a intervenção, um homem não identificado foi mortalmente ferido".

Entre as 11 pessoas detidas figuravam três antigos comandos, segundo a mesma fonte. Mundubile afirmou, por sua vez, que membros do seu serviço de segurança e figuras da oposição tinham sido detidos.

Kafwaya, de 49 anos, foi ministro no Governo liderado pela Frente Patriótica (2016-2021), rival do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND) de Hakainde Hichilema. Posteriormente, foi deputado da oposição durante o primeiro mandato de Hichilema, de 2021 a 2026.

O presidente cessante, conhecido pela alcunha "HH", obteve cerca de 60% dos votos no sufrágio de 13 de agosto, contra 38% de Brian Mundubile, segundo os resultados da comissão eleitoral divulgados na terça-feira.

A União Europeia pediu esta quarta-feira a publicação de "resultados detalhados" das eleições na Zâmbia, alertando que as irregularidades na contagem dos votos "pioraram significativamente" após a suspensão do processo durante algumas horas.

Os observadores relataram pausas prolongadas durante a contagem em quase metade das mesas, enquanto os funcionários "pareciam esperar e receber instruções da sede central da ECZ antes de anunciarem os resultados".

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