EUA suspendem apoio de milhões a Israel e Eisenkot exige explicações a Netanyahu

EUA suspendem apoio de milhões a Israel e Eisenkot exige explicações a Netanyahu

Donald Trump anunciou, esta terça-feira, que chegou a acordo com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para a suspensão do financiamento de quatro mil milhões de dólares a partir do final deste ano. A venda de armas a Israel deverá, no entanto, manter-se. Gadi Eisenkot exigiu explicações a Benjamin Netanyahu.

Nicole Russo - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Jonathan Ernst - Reuters

Em dia de eleições intercalares nos Estados Unidos, e antevendo-se uma derrota do Partido Republicano no controlo do poder legislativo, de acordo com as sondagens, Trump não esclareceu em que moldes seria suspenso o acordo de financiamento, levando em consideração que o Memorando de Entendimento entre os dois parceiros só expira em setembro de 2028.

O presidente norte-americano explicou, no entanto, que Israel já não precisaria do apoio acertado, mas que ajudará o país “se for necessário”: “É um país muito próspero. Não precisam da ajuda”.

A decisão surge, precisamente, como uma resposta aos argumentos dos democratas em período de campanha eleitoral, que se opõem à política da Administração Trump relativamente ao conflito no Médio Oriente.

Gadi Eisenkot, que procura formar governo em Israel após o resultado das legislativas, exigiu, na sequência, explicações a Benjamin Netanyahu.

"O facto de o setor da defesa estar a tomar conhecimento, através dos meios de comunicação social, de uma mudança na relação estratégica demonstra como a conduta de Netanyahu representa um perigo real", apontou, em comunicado.

"Mais uma vez, o primeiro-ministro de Israel mostra-se incapaz de olhar nos olhos dos cidadãos e dizer a verdade", declarou. Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, em 2023, que os eleitores democratas se têm insurgido contra o posicionamento norte-americano.As eleições intercalares dos EUA são consideradas uma avaliação política do trabalho do presidente em funções, podendo colocar dificuldades à aprovação de medidas, consoante os deputados eleitos para Senado e Câmara de Representantes.

Uma sondagem da Universidade de Quinnipiac revelou que 48 por cento dos eleitores e 66 por cento dos democratas consideram “exagerado” o apoio dos Estados Unidos a Israel.

Os próprios candidatos têm-se mostrado mais críticos em relação à posição norte-americana, tal como alguns membros do movimento MAGA (acrónimo para Make America Great Again - Fazer a América Grande de Novo) de Donald Trump.
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