Divulgação de informações confidenciais a jornalista. Diretor da CIA nega "erro grave"
O diretor da CIA, John Ratcliff, e a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, desvalorizaram esta terça-feira, perante o Senado dos EUA, a divulgação de informações de teor militar num grupo de conversa da rede Signal, ao qual o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, havia sido adicionado inadvertidamente.
"Não houve partilha de informação confidencial", disse por seu lado Tulsi Gabbard durante a audiência aos senadores, recusando-se, no entanto, a "entrar em detalhes" ou a confirmar a sua presença no grupo.
Ambos mostraram-se reticentes em divulgar o teor total das mensagens.
Golberg revelou o incidente num artigo, publicado esta segunda-feira, que lançou ondas de choque em Washington e que levou os democratas a acusarem a Administração Trump da mais grave violação das regras de confidencialidade desde "há muito, muito tempo".
A Casa Branca não negou o ocorrido mas tem estado a desvalorizar a importância da fuga de informação.
Em declarações à NBC News, o presidente Donald Trump disse que o lapso "acabou por não ser grave" e manifestou o apoio contínuo ao conselheiro de segurança nacional Mike Waltz, que terá sido o responsável, ou um seu assessor, por adicionar por engano Jeffrey Goldberg à corrente.
Esta incluía 18 altos funcionários da Administração e visava debater o planeamento do ataque aos Houthi.
"Michael Waltz aprendeu uma lição e é um bom homem", disse Trump na entrevista à NBC News.
"Desviar a atenção"
O editor-chefe da revista The Atlantic publicou parte das mensagens trocadas por membros do grupo, como o vice-presidente Jack Vance e o secretário da Defesa, Peter Hegseth. Afirmou ainda ter recebido deste os planos da ofensiva militar contra os Houthi, embora não tenha publicado a referida mensagem.
Horas depois, Hegseth negou a partilha dos planos e atacou Golberg, acusando-o de ser "um jornalista altamente desacreditado e enganoso que fez profissão a professar farsas vezes sem conta".
Também a Casa Branca denunciou "uma tentativa coordenada de desviar a atenção do sucesso das decisões que o Presidente Trump e a sua administração tomaram para fazer com que os inimigos da América paguem", num comunicado que elogia os recentes ataques militares dos EUA contra os rebeldes Huthis no Iémen.
Sem acesso a todas as mensagens e sem conseguir provar que os planos foram publicados por Hegseth, como afirmou Goldberg, os legisladores democratas focaram-se sobretudo na utilização da rede Signal para troca de informações que deveriam ser não só classificadas, como também debatidas num "dispositivo seguro", como questionou o senador Mark Warner.
"Diretora Gabbard, você é a responsável de segurança que estabelece as diretrizes para acesso a informações confidenciais. Contactou o secretário da Defesa ou outros depois de compartilhar esses planos militares específicos para lhes perguntar deveríamos estar a fazer isto?", perguntou.
Gabbard defletiu a questão, garantindo que nada de confidencial foi partilhado e justificando "não entrar em pormenores", porque o que aconteceu "está a ser analisado".
"À defesa"
A diretora sublinhou ainda a diferença entre fugas maliciosas e acidentais, rejeitando que o sucedido possa ser considerado um crime.
Já o diretor da CIA defendeu utilização "autorizada e legal" da aplicação. "As minhas trocas de mensagens no Signal foram totalmente permitidas e legais e nada de confidencial foi partilhado", afirmou Radcliffe.
Depois da audição no Senado e desafiado a publicar o texto completo do grupo, para confirmar o teor confidencial das informações trocadas, Jeffrey Goldberg recusou.
Schumer pediu uma "investigação bipartidária" sobre o "uso incorreto" e disse que os republicanos "não devem apenas encolher os ombros e chamar esse incidente de 'um daqueles momentos de aprendizado'".
Schumer levantou a possibilidade de que a inteligência russa ou iraniana possa ter obtido acesso ao tópico de texto - o que ele chama de "pensamento aterrador".
"Na melhor das hipóteses, o secretário Hegseth mostrou uma colossal falta de julgamento", disse. "Na pior das hipóteses, ele colocou a segurança nacional dos Estados Unidos - e talvez as tropas americanas - em perigo."