Controlado na Bélgica pior incêndio desde 1911

Controlado na Bélgica pior incêndio desde 1911

O incêndio no parque natural belga das Hautes Fagnes, que começou na sexta-feira e é considerado o maior do país desde 1911, está "agora controlado na sua totalidade", mas ainda requer vigilância ativa, anunciaram autoridades locais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Yves Herman - Reuters

"Neste momento, o fogo está controlado na sua totalidade e não deverá avançar mais, se as condições meteorológicas se mantiverem semelhantes às atualmente observadas", anunciaram em comunicado as autoridades da província de Liège (leste), onde o incêndio lavra.

Iniciado por razões ainda desconhecidas no parque natural das Hautes Fagnes, perto da fronteira alemã, o fogo devastou cerca de 3.000 hectares e mobilizou aproximadamente 500 bombeiros e meios aéreos de toda a Europa.

"O fogo é considerado dominado na parte oeste, enquanto as operações continuam no leste, onde a situação ainda não está completamente controlada", precisaram as autoridades provinciais.

O dispositivo em ação vai progressivamente ser reduzido, com o regresso a casa de bombeiros vindos da Alemanha já na noite de hoje. O seu setor será, no entanto, assumido por bombeiros belgas, para garantir a continuidade das operações.

Os bombeiros receberam hoje o reforço do apoio de importantes meios aéreos, que lançaram milhares de litros de água e retardante sobre a zona, especialmente na parte leste do incêndio.

Seis aviões ou helicópteros, vindos da Alemanha, Noruega e Suécia, foram mobilizados hoje, assim como um helicóptero da polícia belga encarregado da coordenação.

As autoridades planeiam também monitorizar a área utilizando, nomeadamente, drones, "que permitirão avaliar a evolução da situação e detetar eventuais reacendimentos", sublinharam.

Múltiplos focos de incêndio reacenderam durante a noite de quarta-feira para hoje, todos controlados pelos bombeiros, que se revezam 24 horas por dia desde sexta-feira para combater este incêndio florestal de dimensão histórica.

As Hautes Fagnes já foram devastadas em 1911 por um incêndio que durou várias semanas.

O trabalho dos bombeiros é dificultado pelo tipo de terreno encontrado: um mosaico de charnecas, turfeiras e passadeiras elevadas para facilitar a exploração deste parque natural muito frequentado por turistas.

A turfa queima em profundidade, favorecendo o início de fogos e exigindo uma vigilância que deverá durar ainda semanas.

"Os guardas-florestais que conhecem este lugar como a palma da mão acreditam que estaremos pelo menos até ao fim do outono a vigiar este fogo que arde no solo", explicou antes Nicolas Yernaux, um porta-voz das autoridades locais.

Sinal, contudo, de um retomar do controlo da situação, é que todos os habitantes retirados das suas casas durante o fim de semana foram autorizados a regressar na quarta-feira à noite, incluindo na Alemanha, na pequena cidade de Monschau, do outro lado da fronteira.

Os bombeiros conseguiram hoje salvar, no meio de uma zona em chamas, um Tetra-lira, uma ave em perigo de extinção da qual na Bélgica só existem 14 machos e quatro ou cinco fêmeas, segundo dados reunidos no final de 2025.

Paralelamente, abriu-se o debate, inclusive no Parlamento federal, sobre o estado de preparação da Bélgica para as consequências do aquecimento climático, num país pouco habituado a ondas de calor ou incêndios florestais.

O ministro belga do Interior, Bernard Quintin, foi ouvido hoje à tarde no parlamento, onde defendeu longamente a ação do governo.

"Fomos confrontados com riscos cada vez mais complexos e potencialmente de grande magnitude", declarou, prometendo um plano nacional de resiliência face ao risco climático.

Por seu lado, a oposição criticou a falta de meios, uma vez que a Bélgica não dispõe de nenhum dispositivo aéreo de combate a incêndios.

O governo defendeu-se, sublinhando ter investido em meios terrestres, considerados mais eficazes, e comprado helicópteros de combate a incêndios, cujas entregas estão a decorrer.

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