China surpreende Taiwan com "aviso muito sério"

por Cristina Santos - RTP
Porta-aviões chinês, Shandong Foto: Handout via REUTERS

Exército, Marinha e Força Aérea, a China utilizou todas as forças militares em exercícios de larga escala junto a Taiwan esta terça-feira. Os exercícios foram acompanhados por uma invasão de propaganda chinesa nas redes sociais.

Estes exercícios, que surpreenderam, são “um aviso muito sério”, afirma o Exército de Libertação Popular da China. 

Os responsáveis chineses acusam o Governo democraticamente eleito de Taiwan de serem "separatistas" e "parasitas" que estão a empurrar a ilha para a guerra.

O comando militar chinês que coordena as operações militares naquela região conta que as forças chinesas se aproximaram de Taiwan a partir de “várias direções”. Estes exercícios em larga escala surgem poucos dias depois de o secretário de Estado norte-americano da Defesa ter prometido combater a “agressão da China”, durante a primeira visita à Ásia.

Os exercícios desta terça-feira envolveram "patrulhas de prontidão no mar e no ar para atacar alvos marítimos e terrestres, impondo controlos em áreas e rotas importantes".

A Guarda Costeira da China também foi envolvida nestes exercícios para “aplicar a lei”. O porta-voz da Guarda Costeira defendeu que estes exercícios são “ações concretas para exercer jurisdição legítima e controlo sobre a Ilha de acordo com o princípio de uma China”.

O Ministério da Defesa de Taiwan detetou 19 navios chineses durante a madrugada, incluindo um porta-aviões.
Taiwan colocou em prontidão aviões, navios da Marinha e sistemas de mísseis na zona costeira.
O porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, Wen Lii, condenou as "provocações militares" da China e comparou-as a outros exercícios recentes perto da Austrália, Nova Zelândia, Japão, Coreia, Filipinas e no Mar da China Meridional.

"Os exercícios da China indicam que a ambição não se limita a anexar Taiwan, mas também a alcançar a hegemonia no Pacífico ocidental".

A China não ficou pelos exercícios militares, uma vez que inundou as redes sociais com propaganda e hashtags nacionalistas. Foram divulgados vários vídeos e imagens a declarar que os chineses estão a "aproximar-se" de Taiwan. Outras imagens que retratam um ataque em grande escala à ilha, incluindo ataques com mísseis. E ainda outras imagens mostram o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, como um "parasita que procura a destruição final".

Alguns analistas sublinham que a propaganda chinesa desta terça-feira "deixa claro que a China está abandonar a estratégia relativamente silenciosa desde a eleição de Trump".

O secretário de defesa dos EUA, Pete Hegseth, visitou vários países asiáticos nos últimos dias, sublinhando que combater a China e impedir um ataque de Taiwan é uma prioridade para os Estados Unidos.

Pequim alega que Taiwan é território chinês, mas Taiwan é reconhecido como país soberano por cerca de uma dúzia de outros Estados, tem Governo próprio e democraticamente eleito, tem exército e moeda própria.

O Governo de Taiwan e o povo opõem-se à vontade da China e querem manter a independência. Além da ilha principal, Taiwan inclui também as ilhas dos Pescadores e os arquipélagos Chin-Men Tao e Ma-Tsu Tao.
PUB