Biden reafirma apoio dos EUA à Ucrânia enquanto enfrenta impasse no Congresso

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Leah Millis - Reuters

Numa altura em que o envio de ajuda dos EUA à Ucrânia está em aberto, o presidente norte-americano reafirmou o apoio à Ucrânia durante uma videoconferência com vários líderes mundiais, esta terça-feira. Perante um impasse no Congresso, a Casa Branca avisa que se o orçamento anual não for aprovado, a ajuda dos EUA à Ucrânia fica comprometida.

O presidente norte-americano falou esta terça-feira por videoconferência com os principais aliados para “coordenar o apoio contínuo à Ucrânia”, segundo explicou a Casa Branca em comunicado.

De acordo com a mesma fonte, participaram na chamada os líderes do Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Polónia, Roménia, Grã-Bretanha e França, bem como os chefes da NATO, Comissão Europeia e Conselho Europeu.

A conversa terá servido para tranquilizar os aliados relativamente ao apoio dos EUA à Ucrânia, uma vez que o Congresso norte-americano aprovou, no domingo, uma lei orçamental de emergência que excluiu novos apoios à Ucrânia.


O presidente da Polónia adiantou que Biden garantiu aos aliados o apoio contínuo de Washington a Kiev.

"Ele garantiu-nos que a ajuda dada à Ucrânia vai continuar, especialmente a ajuda militar. Ele disse que iria garantir esse apoio no Congresso", disse Andrzej Duda em conferência de imprensa.

Aliados garantem apoio contínuo à Ucrânia
A videochamada ocorreu numa altura em que se teme que o apoio do Ocidente à Ucrânia esteja a esmorecer. Para além do impasse nos EUA, que é o maior contribuinte na ajuda a Kiev, também a Eslováquia deverá pôr um travão a essa ajuda após ter elegido um novo primeiro-ministro, pró-russo, que já prometeu não enviar "nem mais um cartucho" para a Ucrânia.

Apesar disso, os aliados garantem estar empenhados em continuar a apoiar a Ucrânia na ofensiva contra a Rússia.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, escreveu na rede social X (antigo Twitter) que os aliados estão “empenhados em apoiar a Ucrânia durante o tempo que for necessário”.

O presidente do Conselho Europeu também garantiu que a UE está “pronta para fornecer equipamento militar adicional e apoio financeiro e político à Ucrânia”. “Paz e segurança na Ucrânia significa paz e segurança na Europa”, salienta Charles Michel.

Também o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, disse esta terça-feira aos líderes do G7 e da NATO que o Reino Unido está preparado para apoiar a Ucrânia com ajuda humanitária, militar e económica “pelo tempo que for necessário”.

A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, já tinha garantido na segunda-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, estava “enganado” ao sugerir um “cansaço ocidental” e acrescentou que Estados Unidos anunciarão "em breve" uma nova ajuda às forças armadas ucranianas, que será retirada de um orçamento já aprovado pelo Congresso.
Qual o impasse no Congresso norte-americano?
Face a falta de acordo entre republicanos e democratas para um novo orçamento, o Congresso norte-americano aprovou no domingo uma lei orçamental de emergência que deixou de fora o apoio à Ucrânia.
A lei, válida por 45 dias, foi aprovada para evitar a paralisação da administração norte-americana, dando ao Congresso mais tempo para chegar a acordo sobre o novo orçamento.

A Casa Branca avisa que se o orçamento anual - que deverá incluir uma nova e elevada verba para financiar o apoio militar e humanitário à Ucrânia - não for aprovado, a ajuda dos EUA à Ucrânia durará apenas “alguns meses”.

O Pentágono avisou que está a ficar sem dinheiro. Já fez cortes nos fornecimentos às forças armadas dos Estados Unidos e alertou que, se a situação se arrastar, a ajuda militar à Ucrânia fica comprometida.


John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, disse que a duração exata da ajuda dependerá das necessidades dos militares ucranianos e do que está a acontecer “no campo de batalha”, à medida que o inverno se aproxima, e alertou que a não aprovação de um novo pacote de ajuda à Ucrânia poderá ter consequências terríveis no terreno.

“Não podemos, em circunstância alguma, permitir que o apoio dos EUA à Ucrânia seja interrompido. O tempo não é nosso amigo”, alertou Kirby.

O presidente norte-americano garantiu, durante o telefonema desta terça-feira, que se mantém “otimista quanto ao apoio contínuo dos dois partidos [norte-americanos] e de ambas as câmaras” do Congresso à Ucrânia.

Na rede social X, Joe Biden pressionou os membros do Partido Republicano, que controla a Câmara dos Representantes, advertindo que devem “manter a sua palavra e garantir a aprovação da ajuda necessária à Ucrânia para que o país se possa defender”.

“Somos a nação indispensável, comportemo-nos como tal”, escreveu o presidente norte-americano.

Os democratas, que apoiam fortemente a ajuda à Ucrânia, insistem que o Congresso apoiará a continuação da ajuda e os líderes do Senado, de maioria democrata, prometeram aprovar uma lei nas próximas semanas para garantir a segurança contínua dos EUA e o apoio económico à Ucrânia.


No entanto, na Câmara dos Representantes, onde os republicanos detêm a maioria, alguns membros da extrema-direita continuam a ser contra a ajuda à Ucrânia e defendem que o governo federal deveria gastar dinheiro nos problemas domésticos, face aos elevados défices orçamentais.

Desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, os EUA já enviaram a Kiev 113 mil milhões de dólares em ajuda militar, económica e humanitária.

c/agências
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