Antigo primeiro-ministro da Malásia acusado de não declarar bens

Antigo primeiro-ministro da Malásia acusado de não declarar bens

Ismail Sabri Yaakob, antigo primeiro-ministro da Malásia, foi acusado hoje de não declarar os seus bens, tornando-se o terceiro ex-líder do país a enfrentar acusações criminais após deixar o cargo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Ismail, de 66 anos, declarou-se inocente da acusação, com base na lei anticorrupção, de não ter apresentado uma declaração completa de bens após uma notificação da agência anticorrupção em janeiro de 2025.

A queixa menciona grandes quantias em dinheiro, em moeda malaia e estrangeira, bem como ouro e prata.

Se for condenado, Ismail pode enfrentar até cinco anos de prisão e uma multa de até 100 mil ringgits (21.300 euros).

Ismail, o nono líder do país, tornou-se primeiro-ministro inesperadamente, sem eleições gerais, depois de ter emergido como uma figura consensual durante um período político turbulento. Foi o líder com o mandato mais curto, governando apenas durante 15 meses, de agosto de 2021 a novembro de 2022.

Após deixar o cargo, Ismail foi interrogado várias vezes pelas autoridades anticorrupção por possível má conduta envolvendo milhões de euros gastos em publicidade governamental durante o seu mandato.

A agência anticorrupção apreendeu ainda barras de ouro e cerca de 40 milhões de dólares (34,3 milhões de euros) em dinheiro de propriedades a ele ligadas.

O advogado de defesa, Amer Hamzah Arshad, disse que Ismail foi libertado sob fiança.

Ismail procurará limpar o seu nome, pois as acusações eram "infundadas e sem fundamento", disse o advogado aos jornalistas.

O caso será novamente julgado a 29 de setembro para que os procuradores forneçam mais detalhes à defesa, acrescentou.

Inicialmente, Ismail deveria ter sido acusado a 07 de agosto, mas a audiência foi adiada depois de ter sido hospitalizado e submetido a um procedimento de implante de pacemaker devido a um problema cardíaco.

A acusação contra Ismail seguiu-se à dos seus dois antecessores.

Muhyiddin Yassin, que foi o oitavo primeiro-ministro, está atualmente a ser julgado por acusações de corrupção e branqueamento de capitais.

Em dezembro, o também antigo primeiro-ministro malaio Najib Razak foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção envolvendo o fundo de investimento estatal 1Malaysia Development Berhad (1MDB).

O Supremo Tribunal da Malásia também condenou Razak ao pagamento de uma multa equivalente a 2,8 mil milhões de euros.

Najib, de 72 anos, foi considerado culpado de quatro acusações de abuso de poder e 21 de branqueamento de capitais, na sequência do desvio de mais de 600 milhões de euros do fundo 1MDB para as contas bancárias pessoais.

Primeiro-ministro de 2009 a 2018, Najib já estava a cumprir pena de prisão depois de ter sido condenado num caso anterior ligado ao escândalo 1MDB, que levou à queda do Governo em 2018.

A decisão marcou um marco importante num dos maiores escândalos financeiros do mundo, que teve repercussões pelos mercados globais e desencadeou investigações nos Estados Unidos e noutros países.

 

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