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Lista negra do Pentágono. China acusa EUA de repressão das suas empresas

A China instou os Estados Unidos, na terça-feira, a "pararem de reprimir" as empresas chinesas, depois de o Departamento de Defesa norte-americano ter publicado, no dia anterior, uma lista de empresas que, segundo o Governo norte-americano, trabalham com as forças armadas chinesas.

RTP /
Sede da Baidu em pequim Foto: Florence Lo - Reuters

"Instamos os Estados Unidos a corrigirem as suas práticas erradas e a pararem de reprimir injustificadamente as empresas chinesas", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian. O Pentágono publicou, na segunda-feira, uma lista atualizada com dezenas de entidades consideradas "empresas militares chinesas" que operam direta ou indiretamente nos Estados Unidos.


Inclui gigantes como o Alibaba (comércio eletrónico), Baidu (motor de busca) e BYD (veículos elétricos).

Lin Jian reiterou a oposição de Pequim à instrumentalização do conceito de segurança nacional por parte de Washington e ao estabelecimento de "listas discriminatórias sob diversos nomes".

"A China tomará as medidas necessárias para defender vigorosamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas", declarou durante uma conferência de imprensa regular.

Esta lista foi publicada menos de um mês depois da visita do presidente norte-americano, Donald Trump, à China. Ele e o seu homólogo, Xi Jinping, ampliaram uma relativa baixa de tensão verificada desde outubro de 2025 entre as duas maiores economias do mundo, após meses de intensa guerra comercial.

O presidente Xi tem agendada uma visita oficial aos Estados Unidos este outono, a convite de Trump.

O governo dos EUA publicou brevemente, e depois retirou, uma atualização da lista existente de empresas chinesas que, segundo alegava, trabalhavam com os militares. Washington e Pequim estavam, então, receosos de comprometer a próxima cimeira entre os chefes de Estado.

Esta versão que foi divulgada já incluía Alibaba, Baidu, BYD e WuXiAppTec (farmacêutica) à lista.
Rejeição
A lista inclui 80 empresas, além das suas subsidiárias. As duas fabricantes de chips de memória, a ChangXin Memory Technologies e a Yangtze Memory Technologies, regressaram à lista depois de terem sido removidas da versão de fevereiro. 

A lista "constitui um alerta para as empresas, os governos e o povo norte-americano", afirmou John Moolenaar, congressista republicano que preside a uma comissão especial do Congresso sobre a China, em comunicado.

O congressista exortou as empresas americanas a "deixarem de fazer negócios" com estes grupos, que "ameaçam a nossa segurança nacional".

As empresas chinesas rejeitaram a sua inclusão na lista, classificando-a como infundada, e ameaçaram avançar com ações judiciais.

"A alegação de que o Baidu é uma empresa militar é completamente infundada", respondeu a empresa nas redes sociais. Afirmou estar preparada para "usar todos os meios" para ser retirada da lista.

A Alibaba também acredita que a sua inclusão na lista é "infundada". Em comunicado, afirmou que não é "uma empresa militar chinesa" e não está envolvido em qualquer estratégia de integração civil-militar. O grupo reserva-se o direito de contestar a inclusão na lista judicialmente.

A inclusão da empresa na lista "não terá impacto nas operações diárias do grupo nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar do mundo, uma vez que as suas atividades não estão relacionadas com aquisições militares dos EUA", acrescentou. Esta inclusão "não resultará em quaisquer restrições ou sanções adicionais às exportações", afirmou o grupo.

"Não cumprimos os critérios legais para sermos designados como uma empresa militar chinesa", acrescentou a WuXiAppTec numa mensagem à AFP.

"Não somos propriedade, controlados ou afiliados a qualquer entidade militar ou governamental da RPC (República Popular da China), não prestamos serviços às forças armadas chinesas e não estamos associados à base industrial de defesa da China ou aos seus programas de fusão civil-militar", afirmou. "Tomaremos medidas imediatas para retificar esta designação errónea", concluiu.

A fusão civil-militar é uma estratégia que visa eliminar as barreiras entre o sector civil e o complexo industrial-militar.
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