Em direto
A evolução da resposta aos incêndios atualizada ao minuto

Kushner prevê "avanços" no desarmamento de milícias palestinianas num mês

Kushner prevê "avanços" no desarmamento de milícias palestinianas num mês

O enviado especial dos Estados Unidos, Jared Kushner, previu hoje "avanços" na desmilitarização da Faixa de Gaza num prazo de 30 dias, após um encontro com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O primeiro-ministro israelita opôs-se a este "plano de ação" da Conselho de Paz e Kushner prometeu que não se avançaria com a reconstrução do enclave palestiniano até que o desarmamento das milícias palestinianas esteja concluído.

"Poderemos ver avanços em apenas 30 dias, e esperamos começar a recuperar parte do controlo de alguns túneis nos próximos 60 a 90 dias. Portanto, o progresso poderá chegar muito em breve, mas precisamos da cooperação de ambas as partes (...) Avançámos muito para chegar até aqui", afirmou hoje o representante norte-americano, numa entrevista à cadeia de televisão americana Fox News.

Nesta linha, o também genro do presidente Donald Trump defendeu que, com o "plano de ação" proposto pelo Conselho de Paz, "todos ganham".

"Se o Hamas realmente entregar as armas e os túneis de forma voluntária nos próximos 60 a 90 dias, isso significaria, obviamente, a eliminação de uma enorme ameaça à segurança de Israel, um feito quase impensável. E se não cumprirem o compromisso, toda a gente verá que não o estão a fazer", sublinhou.

Questionado sobre a rejeição de Netanyahu a este plano, Kushner admitiu que o líder israelita tinha "preocupações válidas" e que conseguiram esclarecer "alguns mal-entendidos e desinformação" durante a reunião que ambos tiveram hoje em Jerusalém, que considerou "muito produtiva".

O enviado especial defendeu que, embora a Administração Trump esteja "muito empenhada" na reconstrução da Faixa de Gaza, esta não terá lugar até que se complete o desarmamento do Movimento de Resistência Islâmica, tal como exigia Netanyahu.

"Não permitiremos a sua reconstrução até que se conclua a desmilitarização. Ninguém quer investir mais dinheiro num lugar que esteve em conflito durante tanto tempo, se depois vai ser tomado por terroristas ou destruído. Também não vamos restringir o direito de Israel de se defender perante ameaças iminentes", declarou.

Netanyahu recebeu também hoje o diretor do Conselho de Paz, o diplomata búlgaro Nikolai Mdladenov, com quem acordou a criação de dois grupos de trabalho, um deles para acelerar a "desmilitarização" da Faixa de Gaza.

O Hamas, por sua vez, ratificou o seu compromisso com o plano norte-americano, que contempla o desarmamento das milícias palestinianas, a retirada israelita do enclave e a transferência de poderes para uma nova administração palestiniana para começar a reconstrução de Gaza.

O genro e assessor do Presidente norte-americano afirmou na mesma entrevista que a reunião de domingo que teve com representantes do grupo islamita palestiniano Hamas foi cordial e que os representantes deste "disseram o que era certo" relativamente à sua intenção de se desarmarem, mas salientou que agora devem acompanhar as palavras com ações correspondentes.

"Disseram o que era certo, mas obviamente é muito difícil confiar numa organização terrorista que cometeu atrocidades tão terríveis", afirmou Kushner à cadeia Fox em Jerusalém, questionado sobre se considera sincera a postura mostrada pelo movimento.

"Tivemos uma reunião muito cordial e disseram o que era certo, por isso vamos dar-lhes uma oportunidade de cumprir, mas terão de se basear em ações e passos concretos, e espero que assim seja", acrescentou.

As palavras de Kushner surgem um dia depois de se ter reunido com uma delegação do Hamas, mediadores egípcios e o diretor do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, no Cairo.

Estas afirmações também chegam poucas horas depois de o próprio Trump ter afirmado que Israel não deveria atacar Gaza neste momento e que a organização palestiniana está "a entregar as suas armas", condição exigida pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para se retirar da Faixa, um dos 15 pontos do roteiro norte-americano.

Tópicos
PUB