Cimeira da NATO. "Vamos defender cada centímetro" da aliança, assegura Joe Biden

por Andreia Martins - RTP
O presidente norte-americano, Joe Biden, numa intervenção durante a cimeira da NATO, em Washington, esta quarta-feira. Foto: Nathan Howard - Reuters

No início da reunião do Conselho Atlântico Norte, esta quarta-feira em Washington, o presidente dos Estados Unidos voltou a dizer que a Aliança Atlântica está mais forte do que alguma vez já foi e destacou a importância de fortalecer e modernizar a capacidade de defesa dos vários países. "Vamos defender cada centímetro da NATO e vamos fazê-lo em conjunto", afirmou.

Na parte pública da reunião, a que os meios de comunicação tiveram acesso, o presidente norte-americano vincou, no discurso de abertura, que os Estados Unidos estiveram na origem da NATO com o objetivo de “criar um escudo” de proteção idealizado pelo então presidente, Harry Truman.

“Os nossos países têm crescido e prosperado protegidos por esse escudo da NATO. Hoje somos mais fortes do que alguma vez fomos”
, assinalou Joe Biden, lembrando algumas das conquistas recentes da aliança, nomeadamente a adesão da Suécia e da Finlândia.
Um novo "eixo do mal"?
No contexto da guerra na Ucrânia, o presidente norte-americano sublinhou a necessidade de “fortalecer a base industrial” perante o aumento de produção de armamento por parte da Rússia.

"Neste momento, a Rússia trilha uma senda de guerra no que toca à produção de Defesa. Acelerou significativamente a produção de armas, munições e veículos", acusou.

Esse reforço, apontou Biden, está a ser levado a cabo com a ajuda da “China, Coreia do Norte e Irão”. “Não podemos permitir que a nossa aliança fique atrás deles”, vincou.

Ainda antes destas palavras de Joe Biden, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg tinha insistido que o esforço de apoio à Ucrânia "não é caridade, é do nosso próprio interesse a nível de segurança". O responsável defendeu ainda o reforço de parcerias para contrariar "o crescente alinhamento da Rússia, China, Irão e Coreia do Norte".

O presidente norte-americano assinalou ainda, na sua intervenção, que vários países estão a assumir um compromisso de aumentar a base industrial de defesa, uma contenda que iniciativa “vai enviar uma mensagem para o mundo”.

“Todos os países da NATO empenhados em fazer a sua parte, podem manter a Aliança forte (…) Podemos e vamos defender cada centímetro da NATO, e vamos fazê-lo em conjunto”, asseverou.

No caso concreto dos Estados Unidos, Biden assinalou que a sua Administração já investiu 30 mil milhões de dólares na indústria de Defesa "para reiniciar ou expandir a produção em 35 dos nossos Estados", o que resulta em "cadeias de distribuição mais fortes, uma economia mais forte, Forças Armadas mais fortes e uma nação mais forte", defendeu ainda. 
Portugal quer alcançar meta até 2029
Nesta cimeira, o primeiro-ministro português já anunciou que o Governo português irá antecipar para 2029 a meta de gastar dois por cento do PIB em Defesa, um compromisso renovado e reforçado no seio da aliança desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.

Portugal é um dos países que ainda não alcançou esta meta, mas Luís Montenegro adiantou esta quarta-feira que o Governo português tem “um plano credível” para o alcançar, plano esse que já foi formalizado numa carta enviada ao secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Este investimento tem por base a componente humana, com a retenção e recrutamento de pessoal nas Forças Armadas portuguesas, assim como o apoio a ex-combatentes. Por outro lado, o executivo português prevê também um investimento em aquisição de equipamento variado, desde viaturas de combate, infantaria, drones e reforço da capacidade aérea. Portugal compromete-se a atingir os 2 por cento do PIB em Defesa até 2029, um ano antes do que estava previsto.

Luís Montenegro destaca também a participação de Portugal em missões internacionais, outro elemento que integra o “esforço acrescido” para alcançar o referido objetivo.

O primeiro-ministro português anunciou também que Portugal vai ajudar a Ucrânia com mais 95 milhões de euros, valor que se soma aos 126 milhões anunciados aquando da visita de Volodymyr Zelensky ao país.
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