Futebol profissional supera os 1.000 milhões de euros de receita pela primeira vez em 2023/24

por Lusa
Pedro A. Pina - RTP

O futebol profissional ultrapassou pela primeira vez os 1.000 milhões de euros (ME) de receita na época 2023/24, indica o anuário apresentado esta quinta-feira pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), em parceria com a empresa EY.

No nono ano seguido de resultados positivos do setor, houve um volume de negócios de 1.073 milhões de euros, mais 86 milhões de euros em relação ao período homólogo de 2022/23, bem como um impacto de 662 milhões de euros no PIB nacional, que equivaleu a quase 0,25% da riqueza nacional.

As 34 sociedades desportivas - 18 na I Liga e 16 na II Liga, com exceção das equipas B de Benfica e FC Porto - também atingiram um recorde de 4.436 postos de trabalho, num aumento de 27%, com os primodivisionários a empregarem 3.239 (73%) - 989 jogadores, 322 treinadores e 1.928 funcionários afetos às áreas de suporte, gestão e administração.

Entre 2022/23 e 2023/24, as remunerações cresceram de 364 milhões de euros para 424 milhões de euros, com os atletas (294 milhões de euros) a auferirem mais do que os funcionários (75 milhões de euros) e os técnicos (55 milhões de euros).

O futebol profissional pagou 268 milhões de euros em impostos ao Estado, contra os 228 milhões de euros da época anterior, tendo a I Liga concentrado 89% desse impacto fiscal, equivalente a 238 milhões de euros, enquanto o pagamento de IRS e as contribuições sociais foram de 216 milhões de euros, 81% do total.

Em matéria de assistências, 4,2 milhões de adeptos assistiram a jogos dos dois escalões nos estádios, numa subida de 10% face a 2022/23, dos quais 3,7 milhões se referem à I Liga e 556 mil à II Liga, ocasionando ocupações médias de 66% e 23%, respetivamente.

Os 306 encontros do escalão principal, que foi conquistado pelo Sporting, contaram, em média, com uma afluência de 12.117 espetadores e uma diferença de 21 euros entre o preço mais elevado e o mais baixo de ingressos cobrado por uma sociedade desportiva.

O retorno mediático da I Liga subiu 6% face a 2022/23, alcançando os 1.708 milhões de euros, com a televisão a permanecer na liderança (63%), com 1.076 milhões de euros, seguida das plataformas digitais (32%), com 545 milhões de euros - 14 milhões de euros oriundas das interações efetuadas em redes sociais.

Quanto às transferências de jogadores, os primodivisionários investiram 251 milhões de euros em 377 entradas e receberam 402 milhões de euros pelas 364 saídas, gerando um saldo positivo de 151 milhões de euros.

No prefácio da oitava edição do anuário do futebol profissional, a presidente interina da LPFP, Helena Pires, destacou que o setor está “mais sólido e coeso” e empenhado em investir “na formação de mais e melhores quadros, desde a base até ao topo da pirâmide”.

“Essa evidência, traduzida em números que sublinham o peso crescente na economia nacional, deve servir de referência ao poder político, a quem cabe um papel determinante na garantia de condições justas para assegurar a competitividade deste setor que, apesar de enfrentar o mercado do entretenimento em circunstâncias de desigualdade gritante em matéria fiscal, se mantém fiel a esse desígnio coletivo de proporcionar o melhor produto ao consumidor”, traçou.

Miguel Cardoso Pinto, da EY, também admitiu que, mediante “condições mais favoráveis”, nomeadamente custos de contexto mais baixos, o setor pode aumentar a sua relevância económica e reforçar a sua competitividade internacional, contexto no qual a centralização dos direitos audiovisuais das partidas, prevista para 2028/29, “assume um papel crucial”.

“O futebol continua a ser uma peça essencial na construção da nossa identidade coletiva. Em 2023/24, os estádios contaram com mais de quatro milhões de presenças, recordando-nos que este desporto não é apenas um jogo: é entretenimento, economia, cultura, um ponto de encontro entre gerações”, salientou.

Em 2023/24, as competições profissionais representaram 75% dos 29,1 milhões de euros de receitas apresentadas pela LPFP, que teve ainda 26,5 milhões de euros de gastos e fechou com a época com lucros de 774 mil euros, tendo distribuído mais de 9,8 milhões de euros às sociedades desportivas.

Depois da recuperação (2015-2019) e da consolidação (2019-2023) do setor, o organismo iniciou na época passada um novo ciclo estratégico direcionado para a afirmação (2023-2027), cujos eixos passam pelo compromisso com o adepto, a elevação do produto, a credibilização pelo profissionalismo, a união de todos os agentes e um futebol com responsabilidade social.

A LPFP vai a eleições em 11 de abril, com José Gomes Mendes e Reinaldo Teixeira a concorrerem à sucessão de Pedro Proença, que deu lugar à líder interina Helena Pires em fevereiro, após ser eleito como presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
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