Listas de deputados. Ex-ministra Marina Gonçalves desvaloriza recusa de Sérgio Sousa Pinto

por João Alexandre

Fotografias de Gonçalo Costa Martins

Marina Gonçalves, deputada e ex-ministra do Governo de António Costa, garante que a recusa de Sérgio Sousa Pinto em integrar a lista de candidatos a deputados não é um problema para o partido.

Em declarações à Antena 1, no programa Entre Políticos - e após o jornal Observador ter noticiado que o ainda deputado rejeitou fazer parte das listas por "acreditar que a lista de deputados reflete uma valoração política das pessoas na qual não se revê", a socialista afirmou que, com ou sem a presença de Sousa Pinto, continua a sentir-se representada pelos nomes escolhidos para o círculo eleitoral de Lisboa - e aprovados pela Comissão Política do PS.

"Nós temos muito bons quadros dentro e fora das listas de deputados, das câmaras municipais, em nenhum órgão executivo e como militantes do Partido Socialista. Felizmente é um partido que pode fazer escolhas. É sempre um processo que implica fazer escolhas, é assim que é feito, não pode ser de outra forma", argumentou Marina Gonçalves, que acrescenta: "É uma lista pela qual eu me sinto 100% representada, assim como com Sérgio Sousa Pinto também me sentia 100% representada. Os 'timings' e os processos são como são, não me cabe a mim avaliar as decisões pessoais de cada um".

A ex-ministra da Habitação considera ainda que, mais importante do que uma avaliação da recusa de Sérgio Sousa Pinto - que tinha sido colocado em quarto lugar na lista encabeçada por Mariana Vieira da Silva -, é garantir que o PS está unido na campanha eleitoral. "No final deste processo - e depois de apresentarmos as listas -, estarmos todos unidos em prol de um projeto comum. E, aí, não é só quem está nas listas, é o PS - como um todo e com um projeto que é comum - apresentar-se aos portugueses para que a 18 de maio possamos verdadeiramente mudar o rumo do país", insistiu a socialista, que volta a ser cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo

Quanto ao momento escolhido por Sérgio Sousa Pinto para anunciar a decisão, Marina Gonçalves remete para o também membro da Comissão Política do PS: " Essa questão tem de ser colocada a quem toma a decisão (...) A cada um cabe avaliar o momento pelo qual decidem se querem ficar em listas".

PSD ameaça insistir na comparação entre Hernâni Dias e Pedro Nuno Santos

O social-democrata Alexandre Poço acredita que não há motivos para criticar a decisão do PSD de escolher o ex-secretário de Estado Hernâni Dias para cabeça de lista pelo distrito de Bragança e avisa que, caso o PS decida fazer do caso um tema de campanha eleitoral, a AD vai dar resposta.

"Se o PS quiser comentar a fundo as nossas listas, nós temos muita vontade também para comentar as coisas do PS", afirma o deputado e vice-presidente do PSD, que sublinha: "Se fizer campanha a colocar em cima da mesa esta situação, então nós temos de recordar aos portugueses que o próprio Pedro Nuno Santos também se demitiu de um governo - e demitiu-se de um governo por um processo - do qual se lembrou tarde - em que tinha autorizado por WhatsApp pagar 500 mil euros à gestora pública Alexandra Reis". Em declarações à Antena 1, no programa Entre Políticos, Alexandre Poço argumentou ainda que o ex-secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território - que se demitiu no final de janeiro na sequência de um alegado conflito de interesses relacionado com as alterações à Lei dos Solos - não tomou "nenhuma decisão que lesasse o erário público"

"Não é suspeito de nenhuma atuação lesiva do interesse nacional ou do interesse coletivo do nosso país. É preciso relembrar as pessoas que saiu do governo por ter feito uma opção na sua vida pessoal, na sua esfera privada", reiterou o deputado, que insistiu no aviso aos socialistas: "Não comento as razões da saída de Fernando Medina ou de Sérgio Sousa Pinto (...) A questão é se o Partido Socialista quiser entrar nesse tipo de debate".
PUB