Projeto da Mina da Borralha selecionado pela UE como estratégico na extração em Portugal
O Projeto da Mina da Borralha, em Portugal, foi selecionado pela Comissão Europeia como um dos 46 novos projetos estratégicos para reforçar o abastecimento da União Europeia (UE) em matérias-primas críticas, anunciou hoje a instituição.
"Para reforçar as cadeias de abastecimento da UE e diversificar as fontes de matérias-primas críticas, a Comissão Europeia anunciou hoje a seleção de 46 novos projetos estratégicos em 16 Estados-membros", divulgou o executivo comunitário.
Um dos países abrangidos é, então, Portugal e trata-se do Projeto Mina da Borralha, uma iniciativa para reativar a antiga exploração mineira localizada na freguesia de Salto, concelho de Montalegre, região do Barroso, com foco na extração subterrânea de tungsténio (volfrâmio), além de concentrados de cobre e estanho.
O projeto é promovido pela Minerália - Minas, Geotecnia e Construções, Lda., e está classificado na categoria de extração para produção de tungsténio, matéria-prima estratégica para setores industriais como a defesa e a indústria aeroespacial.
Ao nível da UE, os 16 projetos selecionados estão entre 102 candidaturas recebidas e vão permitir "reforçar a competitividade, aumentar a resiliência e reduzir a dependência de um único fornecedor", de acordo com Bruxelas.
Os projetos "abrangem diferentes fases da cadeia de valor das matérias-primas", desde a transformação à reciclagem, e "irão reforçar as cadeias de valor europeias nos setores das baterias, da defesa e aeroespacial e dos ímanes permanentes", é indicado.
Ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, a UE deve assegurar, até 2030, pelo menos 10% do consumo anual de matérias-primas estratégicas através da extração, 40% através da transformação e 25% através da reciclagem.
Segundo a Comissão Europeia, os projetos escolhidos abrangem 15 das 17 matérias-primas estratégicas identificadas no Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, incluindo o lítio, o níquel, o cobalto, o manganês, a grafite, o magnésio, o tungsténio e as terras raras.
O tungsténio, em particular, é considerado relevante para os setores da defesa e aeroespacial, devido às suas propriedades físicas e à sua utilização em aplicações industriais especializadas.
A Comissão Europeia adianta que o conjunto dos novos projetos, em articulação com os projetos estratégicos selecionados em 2025, poderá contribuir para cumprir as metas europeias de extração, transformação e reciclagem de matérias-primas críticas.
O reconhecimento como projeto estratégico permite beneficiar de procedimentos de licenciamento mais céleres e facilita o acesso a mecanismos de apoio e financiamento, embora a seleção não corresponda, por si só, à atribuição automática de financiamento europeu.
A Comissão Europeia prevê anunciar um novo convite à apresentação de candidaturas para projetos estratégicos no final de 2026.
Na primeira lista de projetos estratégicos ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, anunciada em 25 de março de 2025, Portugal teve quatro projetos selecionados, três ligados ao lítio e um ao cobre.