OpenAI admite falha em alerta sobre intrusão de IA em plataformas do Governo da Austrália
A OpenAI reconheceu na segunda-feira que deveria ter informado "mais cedo" as autoridades australianas sobre uma intrusão dos seus modelos de inteligência artificial (IA) em várias plataformas eletrónicas e bases de dados governamentais.
A empresa californiana só alertou as autoridades australianas em 10 de setembro, embora tivesse detetado o incidente em meados de agosto, sendo que este remontava a junho, situação que provocou a indignação do primeiro-ministro da Austrália.
"Devíamos ter gerido melhor a nossa resposta [ao problema]", escreveu a `startup` numa mensagem publicada na Internet. "Lamentamos o sucedido e vamos esforçar-nos por fazer melhor no futuro."
O chefe do Governo australiano, Anthony Albanese, tinha também deixado críticas à OpenAI por ter avisado os seus serviços apenas através de uma simples mensagem de correio eletrónico enviada para um endereço destinado ao público em geral.
No total, quatro plataformas do Governo australiano foram visadas pela IA da criadora do ChatGPT, incluindo a Services Australia, o portal dos serviços sociais, de onde o modelo extraiu informações não públicas.
O modelo em causa era uma IA interna da OpenAI, que não se destinava à comercialização. Os avaliadores removeram os mecanismos de proteção para avaliar de forma mais rigorosa as suas capacidades reais em matéria de cibersegurança.
A OpenAI explicou que só notificou as autoridades de Camberra em setembro porque pretendia concluir previamente a investigação ao incidente.
O grupo indicou que, em nenhum dos quatro casos, a IA teve acesso a dados pessoais.
Desde que os factos foram divulgados, a OpenAI afirma ter "colaborado estreitamente" com as agências do Governo australiano "para partilhar o que sabe".
A empresa compromete-se a informar "rapidamente e de forma direta" as autoridades caso identifique ataques a outras plataformas governamentais.
A OpenAI indicou também que vai enviar o seu diretor de estratégia, Jason Kwon, a Sydney para responder às questões dos parlamentares australianos numa audição marcada para 06 de outubro.
"Sabemos que ainda temos muito trabalho pela frente para reconquistar a confiança" das autoridades australianas, afirmou a empresa.