Covid-19. Quebra do turismo provoca subida histórica do desemprego no Algarve
Só no mês de maio, o desemprego no Algarve aumentou 200 por cento, sobretudo no setor da hotelaria, que anseia pela chegada de turistas para atenuar o "golpe" de quase três meses de prejuízos. A pandemia gerou quebras históricas no turismo e deixou quase 28 mil pessoas sem emprego na região.
Segundo o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas, depois da época baixa, quando se preparava para entrar na época turística, a região está a enfrentar um verão "que não será comparável" ao do ano passado.
"Nós temos ainda muitos hotéis fechados, claro", começou por explicar em entrevista à Lusa. "Temos muitos estabelecimentos comerciais encerrados, temos alguns que até abriram, mas depois fecharam, uma vez que não há clientes".
O problema, frisou, é que depois deste verão atípico entra novamente a estação baixa, o que, na prática, será equivalente "a três estações baixas seguidas", resume o líder da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).
"O efeito nas receitas das empresas e o impacto no emprego é indiscutível e será uma realidade incontornável", acrescentou, lembrando que a partir do mês de setembro a situação pode piorar.
"Comparativamente ao resto do país, o Algarve regista números muito superiores a nível do desemprego. E a partir do mês de setembro, certamente que esses números se irão agravar novamente".
"Nós, em março, quando foi o início desta pandemia, estávamos em fase de início de contratação para a época de cerca de 350 pessoas. Acabámos por contratar só 89 e, obviamente, todas as outras deixaram de ser contratadas e a seguir os hotéis fecharam e passámos todas as pessoas a ‘lay-off’", comentou em entrevista à agência de notícias.
Segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no passado mês de maio o Algarve foi a região que registou o maior aumento de desempregados inscritos no país, com um crescimento de 202,4 por cento, face ao mesmo mês do ano passado.
"É um situação complicada, com um número de desemprego bastante elevado, que nos preocupa. Em fevereiro ninguém acreditaria que isto iria acontecer, porque estávamos com um dinamismo da economia cada vez maior, com o emprego a aumentar e o desemprego a diminuir", afirmou Madalena Feu, delegada regional do IEFP.
A delegada regional explicou ainda que dos "novos" desempregados, 28 por cento são estrangeiros - na sua maioria brasileiros, indianos e nepaleses, que trabalhavam na agricultura e na hotelaria - ou pessoas que vieram de fora da região.
Devido às medidas de confinamento para combater a pandemia, o desemprego disparou não só em Portugal, como em vários outros países. Mas no nosso país, o desemprego atingiu sobretudo trabalhadores temporários, precários, muitos deles emigrantes a trabalhar na restauração e hotelaria, sendo que de futuro podem somar-se a esses muitos outros com o fim do atual regime de 'lay-off'.