"Liberdade confinada a um retângulo"

O tempo que faz correr os ponteiros do relógio é um dos maiores desafios do Spam Cartoon, que "idealmente é entregue quinta-feira de manhã" para ser transmitido à noite na RTP3 e na RTP. André Carrilho, um dos cartoonistas responsáveis, reconhece que o grande desafio é a animação do cartoon porque "normalmente demora muito tempo a fazer".

São 12 desenhos por segundo, numa animação que tem entre 30 segundos a um minuto e que tem que ter atualidade. O esforço de André Carrilho, Cristina Sampaio e Tiago Albuquerque é encaixar o tempo de produção do Spam Cartoon em apenas um dia. “Isso implica que nós como cartoonistas somos também realizadores, montadores, principalmente animadores e fazemos todo o produto” até ser enviado para o sonoplasta Philippe Lenzini. Todas as semanas, até quarta-feira de manhã, tem de haver uma ideia que depois é trabalhada por um deles. E se tiverem um bloqueio? A solução está guardada em três tipos de ideias. A mais básica é a C e a mais elaborada é de nível A. Se o maior inimigo de um cartoonista são os regimes autoritários, André Carrilho alerta para a descontextualização do cartoon que é uma realidade cada vez maior. 

Uma sombra alimentada pela forma como “algumas pessoas instrumentalizam os cartoons” descontextualizando e manipulando a mensagem “que quase nunca é o objeto do cartoon”. No entanto, também depende do local no globo onde “nasce” o cartoon. O caso mais recente da demissão de uma das mais importantes cartoonistas dos EUA deu origem a uma onda de apoio a Ann Telnaes e acelerou avisos sobre a liberdade de expressão em órgãos de comunicação social que estão nas mãos de muito poucos. André Carrilho defende que existem linhas vermelhas quando se faz um cartoon, mas “eu sou parte ativa na definição dessas linhas vermelhas”.
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