Poucas horas depois de se saber da nomeação do antigo mayor de Londres para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault assume estar preocupado com o que diz ser “mais um sinal” da crise política no Reino Unido após o resultado do referendo.
Boris Johnson, um dos protagonistas da campanha pró-Brexit, foi escolhido para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e as reações não se fizeram esperar. A BBC cita mesmo uma fonte do Parlamento Europeu que diz sem rodeios: “Achamos que isto é uma brincadeira de mau gosto e que os britânicos estão perdidos”.
No flanco germânico, a reação não foi muito melhor. Frank-Walter Steinmeier, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, acusou Boris Johnson de irresponsabilidade e de ter tentado escapar após a decisão dos britânicos de abandonar a União Europeia. “Sinceramente, acho que é escandaloso”, confessou aos jornalistas poucas horas depois de ser conhecido o novo cargo. Boris Johnson e Jean-Marc Ayrault foram presidentes da Câmara de Londres e Nantes, respetivamente. Cruzaram-se pela primeira vez nessas funções, lembra o britânico The Guardian.
A reação no resto do mundo não foi muito mais otimista. Um artigo do norte-americano The Washington Post desfia esta quinta-feira um conjunto de “frases pouco diplomáticas” do antigo mayor de Londres, que apontam como “um candidato pouco comum a este tipo de função”.
O comentário do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, em entrevista a uma rádio francesa, poucas horas depois do anúncio de Theresa May, é mesmo o que mais ressoa.
Jean-Marc Ayrault disse à Europe 1 que a escolha de Johnson para o cargo “é mais um sinal da crise política que se instalou no Reino Unido após o resultado do referendo”, salientando que o momento que a Europa e o país atravessam pedia um líder “credível e de confiança”.
Sobre a saída do Reino Unido, o ministro francês pede que aconteça “nas melhores condições possíveis e pede que a situação “ambígua e enevoada” não se arraste por muito mais tempo.
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